Anderson Birman. Foto: divulgação.

A fabricante de calçados Arezzo abriu na segunda-feira, 30, um Centro de Serviços Compartilhados em Campo Bom, no Vale do Sinos, aumentando para 12 o número de unidades no estado – até agora, eram seis em Porto Alegre, duas em Caxias, uma em Passo Fundo, uma em Pelotas e uma em Canoas, incluindo lojas e franquias.

A empresa, que fechou 2011 com receita líquida de R$ 678,9 milhões e produz mais de oito milhões de calçados e artigos de couro por ano, sendo 86% da produção terceirizada, concentra no novo centro a fabricação de calçados e bolsas das marcas Arezzo, Shutz, Alexandre Birman e Anacapri.

A nova sede tem 14 mil m2 e, conforme o dono da Arezzo, Anderson Birman, a fabricação no local será terceirizada.

Ao todo, a marca tem 338 lojas no país, com 292 franquias em mais de 160 cidades, empregando mais de dois mil funcionários.

"Esta nova sede é um dos mais relevantes investimentos da companhia em infraestrutura dos últimos anos”, destacou Birman, durante a inauguração da planta.

MENOS 9% DE ICMS
O governador do estado, Tarso Genro, participou da inauguração da fábrica, e destacou apoios estaduais ao investimento, que teve aportes do Banrisul e Badesul, além de redução de 9% no ICMS.

"Para as empresas que tiverem aumento de faturamento, sobre esse incremento haverá redução do ICMS de 12% para 3%. Este é um dos exemplos das medidas, construídas com o setor, que foram  anunciadas na nova Política Industrial”, detalha o  presidente do Badesul, Marcelo Lopes.

SUBINDO NO SALTO
O investimento da Arezzo muda um quadro que não vem ficando bem na exposição do setor coureiro-calçadista gaúcho: de 2008 para cá, três fabricantes fecharam as portas ou encerraram linhas de produção no estado, culminando na demissão de mais de 2 mil funcionários.

A mais recente foi a Doublexx, que em janeiro de 2012 fechou a fábrica de Estância Velha, demitindo cerca de 300 trabalhadores.

Em agosto de 2011, a Paquetá havia anunciado o fim de sua produção em Sapiranga, uma operação que empregava 1,4 mil colaboradores, dos quais mais de 300 foram demitidos.

Os demais foram realocados em departamentos que seguiram funcionando na operação gaúcha, como Design e Compras.

A produção de Sapiranga foi transferida para o Nordeste, em uma unidade destinada a atender ao mercado interno, e para uma operação na República Dominicana, focando as exportações.

Três meses antes da Paquetá, a Azaléia também havia decretado fechamento da fábrica localizada em Parobé, mandando 800 funcionários para a rua.

A unidade era a menor da Azaléia em volume de produção.

Em julho de 2009, a mesma Vulcabras/Azaléia já havia demitido cerca de 600 funcionários em Parobé, quando reduziu a produção da unidade em um turno.

Foi o segundo corte de colaboradores realizados pela empresa naquele ano: no primeiro semestre, outras 299 demissões haviam sido realizadas.

Antes, ainda em 2008, a fabricante havia encerrado as operações na unidade gaúcha de Portão, que na época empregava cerca de 250 pessoas.

Os colaboradores puderam, na época, optar entre se transferir para Parobé ou rescindir contrato.