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Com a incerteza econômica e as transformações trazidas pela pandemia, o CIO deve repensar seu papel dentro das empresas, em um momento no qual tecnologia é a chave para superar os desafios.

“A gente via o CIO como aquela pessoa que olhava a infraestrutura, que era especialista em telecomunicações, colocava tudo que podia dentro de um ERP, mas o jogo mudou. A gente vai ter tecnologia para tudo e a tecnologia vai influenciar no negócio, na estratégia”, afirma Rafael Tobara, CIO da Sapore, multinacional brasileira de restaurantes corporativos.

Tobara foi um dos participantes de um painel promovido pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) sobre a visão do CIO nos novos tempos nesta semana, do qual participaram também Tatiana Medina, da Klabin; Sergio Costantini, da Aqua Capital; e Cláudio Soutto, da KPMG.

Na visão de Tobara, a TI não é mais uma área de apoio, e sim de negócios, que gera negócios e mexe no ritmo da empresa, tendo um papel muito mais estratégico e que precisa ter foco no cliente.

Tobara, por exemplo, participa de todas as reuniões de conselho da Sapore, mesmo sem ser conselheiro, pois, segundo o CIO, a companhia entende que a tecnologia é fundamental para fazer qualquer coisa. 

“A TI passa a ter um papel ainda mais estratégico nas empresas, porque, no fundo, ela é o alicerce ou até o motor da transformação digital. Então a TI deveria estar cada vez mais envolvida nas decisões estratégicas da companhia de maneira geral” concordou Sergio Costantini, da Aqua Capital, fundo de investimentos voltado para o agronegócio.

Costantini vê um modelo onde o CIO é alguém muito mais envolvido no core business da companhia, com muito mais conhecimento sobre ele, e que se envolve de fato nas decisões estratégicas e interfere nelas.

Para ele, os desafios do cargo são basicamente acompanhar a evolução tecnológica e integrar os diferentes stakeholders.

“Tudo que a gente tinha como contingência passou a ser o nosso novo modus operandi. Hoje se você não fizer nada a curtíssimo prazo isso vai ter um impacto no seu negócio”, acrescentou o CIO da Aqua Capital.

Cláudio Soutto, CIO da área de advisory KPMG, agrega que a tecnologia está espalhada por toda empresa, sem estar restrita a uma única área, e que os profissionais devem saber trabalhar com esse quadro.

“Cabe ao CIO ter a habilidade de trabalhar com esse novo modelo. As áreas de negócio começam a desenvolver as suas próprias soluções, contratar serviços como cloud computing, por exemplo, e o CIO tem esse grande papel de ser o orquestrador disso”, ressalta Soutto.

Já no cenário da Klabin, produtora e exportadora de embalagens, o trabalho colaborativo e disperso está “derrubando o shadow IT”, conceito que descreve a criação de um portfólio de tecnologia “na sombra”, pela acumulação de contratações sem a orquestração da área de TI da empresa.

“Todo mundo trabalha num sentido para organizar e não para criar o caos. Está bem interessante esse movimento”, conta Tatiana Medina, CIO da empresa.

Segundo a executiva, por se tratar uma manufatura que trabalha fortemente com negócios B2B, a Klabin não foi a primeira nem a segunda a entrar na transformação digital, apesar do foco na indústria 4.0. Mudanças que a empresa esperava para 2030 serão aceleradas por conta da Covid-19.

“Hoje na Klabin o top one de todas as expectativas é o reconhecimento facial. No pós-Covid, esse é o assunto que a gente mais tem buscado, tudo que você não precise tocar”, conta Medina. 

Com 19 mil colaboradores passando o crachá diariamente em locais como entrada da fábrica, departamento e refeitório, a empresa tinha a ideia de verificar a biometria via impressão digital, o que agora foi descartado.

Com uma realidade mais afetada negativamente pela pandemia, a Sapore teve uma redução drástica de faturamento e precisou rever diversas ações em meio à preparação para o IPO. A empresa teve que olhar todo o portfólio de projetos e fazer uma grande repriorização. 

Projetos relacionados a reconhecimento facial, temperatura e analytics, por exemplo, foram priorizados. Já a migração que a companhia estava fazendo para o SAP S/4 Hana precisou ser paralisada.

Para os novos tempos, o CIO da Aqua Capital destacou o foco em tecnologias como UX, IoT, CRM, inteligência artificial, BI, APIs e ferramentas de segurança da informação. A KPMG também destacou a segurança e a cloud computing.

Rafael Tobara, CIO da Sapore, está na empresa desde abril do ano passado, quando foi contratado vindo da Duratex. Desde o final de 2019, também atua como board member da CIONET, rede internacional de executivos líderes de tecnologia da informação.

Tatiana Medina, CIO da Klabin, também atuava na Duratex até ser contratada pela empresa atual, em 2018. Ao longo da carreira, a executiva passou pelas empresas Biosev, Louis Dreyfus Commodities, Accenture, Comgas e Telefônica Brasil.

Já Sergio Costantini, CIO da Aqua Capital, é sócio da UNIE Consulting desde 2013 e, em agosto do ano passado, ingressou no fundo de investimentos. O executivo tem uma carreira marcada por cargos de liderança em instituições financeiras, como Santander e BBVA.

Cláudio Soutto, CIO, da KPMG, está há quatro anos na empresa. Com 35 anos de carreira, o executivo atuava anteriormente na Deloitte e, na maior parte do tempo, trabalhou nas  empresas PwC e IBM.