Complicou. Foto: divulgação.

A onda de investimentos e alta valorização de startups pode estar perto do fim. Segundo analistas, o ritmo animado de aportes está desacelerando na mesma medida que investidores estão se dando conta que talvez boa parte das empresas em que investiram seu dinheiro talvez não valham tanto assim.

Segundo aponta um relatório da consultoria CB Insights, nos últimos anos cerca de 132 startups foram avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. Conforme apontaram analistas para a Reuters, o medo de muitos investidores é que boa parte deste montante não chegue a esta valorização em uma possível oferta pública de ações.

À parte de apps mais badalados como Uber, Airbnb e Snapchat, outras companhia supervalorizadas podem encontrar dificuldades nos próximos tempos, devido ao momento de recessão puxado pela turbulenta economia chinesa.

De acordo com a empresa de venture capital NEA, este cenário pode complicar a vida das empresas que esperam angariar milhões em rodadas de aportes.

"Muitas empresas que buscam investimentos no mercado neste momento estão lutando para conseguir as valorizações esperadas e terão que fazer reavaliações", afirmou Jon Sakoda, analista da NEA.

Entretanto, especialistas já apontam que os investidores estão bem mais moderados nos cheques assinados para as startups. Apenas as empresas mais marcantes tem a sorte de ser os chamados "unicórnios", recebendo investimentos na casa dos nove dígitos.

Um exemplo recente é o do Airbnb, que recebeu em junho uma injeção de US$ 1,5 bilhão para expandir suas operações para novos países, subindo sua avaliação de mercado para US$ 25,5 bilhão.

Outro indício do fim de uma possível "bolha das startups" - referência à bolha das pontocom no início dos anos 2000 - é que apenas 42% das 38 empresas de tecnologia que fizeram IPO conseguiram a valorização esperada, segundo a firma de inteligência Ipreo.

Para garantir a segurança do dinheiro aportado, fundos estão aumentando a exigência de cláusulas de preferência em que podem pedir seu investimento de volta caso a empresa favorecida seja comprada por um valor abaixo do esperado.

Segundo aponta a firma de consultoria Fenwick & West, cerca de 26% dos contratos de investimento pediam esta garantia. Hoje o percentual já está em 40%.

"Este é um sinal importante para mim. Ele indica que as startups possuem menos poder de negociação, o que é uma fraqueza para estes novos negócios", apontou Barry Kramer, analista da Fenwick & West.