Brasília, 9 de agosto, o calor é agradável tendo em vista o frio do RS.

Numa sala do SERPRO, somos recebidos por seu Diretor, Sérgio Rosa, pelo Presidente do ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação), Sérgio Amadeu e pelo Secretário-adjunto de Política de Informática e Tecnologia do MCT, Arthur Pereira Nunes.

Somos cinco empresários, estamos ali para falar em nome das três entidades representativas do setor de TI, para apresentarmos aos representantes do Governo uma proposta relativa à política de implementação de software livre. Presente à reunião, como convidado, está ainda Marcelo Branco, do Projeto Software Livre RS e Projeto Software Livre Brasil.

A reunião é a terceira realizada em pouco mais de 30 dias onde Assespro, Softex e Fenainfo abordam a preocupação das entidades com o plano de adoção da tecnologia de Software Livre pelo Governo Federal e o forte poder indutor que já começa a aparecer no mercado.

A conversa não é de forma nenhuma difícil, na realidade todos estão ali com um objetivo bem definido, que é o de desenvolver a indústria de software no Brasil através do fortalecimento das empresas aqui estabelecidas e responsáveis pela geração de emprego e renda. Na reunião anterior, o Presidente Sérgio Amadeu propôs que apresentássemos nossas principais preocupações a respeito do assunto e propostas concretas para elaborarmos, em conjunto, um plano de ação.

Aceitamos o desafio, conscientes do risco que representava, mas concluímos todos que o risco é inerente a nossa atividade. Falo do risco de representar, de falar por outros colegas, de assumir posições, tentando pesar prós e contras de diferentes pontos de vista, buscando um caminho. Representar com isenção de interesses não é uma tarefa fácil. Por mais que se tente, é impossível agradar a todos.

Concorrendo com viagens, empresas, famílias e outros compromissos, o trabalho foi sendo desenvolvido a várias mãos, contribuições surgiam de vários empresários. Em meio a parabéns e críticas nossa proposta foi tomando forma. Algumas vezes tínhamos de parar para explicar: Calma gente, não é a política de software inteira, nosso foco, “hoje”, é implementar software livre sem sacrificar o software proprietário, há espaço para todos!

A apresentação foi permeada de muita discussão, mas uma discussão saudável, uma discussão construtiva que nos prendeu por praticamente três horas. Nossa proposta está agora sendo melhor analisada e em breve teremos uma nova rodada para troca de idéias e construção de estratégias.

Quando a reunião acabou, recebemos, todos juntos, as felicitações pela tarefa cumprida e sorrimos satisfeitos.

Sorríamos pela nossa mais importante tarefa: mais uma vez estávamos JUNTOS!

Construir uma união, de fato, é muito mais complicado do que escrever um documento à muitas mãos, várias idéias, diferentes propósitos. Construir uma união depende de valores e ideais que devem estar acima de interesses particulares.

O maior elogio que recebemos na tarde de hoje, foi o de que AGORA estávamos nos fazendo representar. A união das entidades, Assespro, Fenainfo e Softex, demonstrava a capacidade do setor de TI de interagir nas questões que dizem respeito a nossas empresas e ao nosso país.

Hoje, foi um destes dias em que valeu a pena sair de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Goiânia para ir trabalhar em Brasília