Tamanho da fonte: -A+A

Até que ponto a certificação Scrum Master é importante? A polêmica tem dividido opiniões no Brasil e no exterior. Afinal, para tornar-se certificado no método ágil, é necessário realizar apenas um treinamento de 16 horas que não exige experiência e nem tem prova final.

Recentemente, Scott Ambler, canadense especialista em metodologias ágeis e tido como uma das maiores autoridades no tema, escreveu um artigo criticando fortemente a certificação.

"A Scrum Alliance continua dando um vexame, bem como a comunidade ágil em menor escala, na medida em que continua a operar o programa Certified Scrum Master", fulminou o profissional no texto. 

No Rio Grande do Sul, Daniel Wildt, coordenador do Grupo de Usuários de Metodologias Ágeis do RS, não é tão radical quanto Ambler. "Sou 110% contra alguém que faça o treinamento de CSM e assine como um profissional certificado scrum tendo assistido a apenas 16 horas de aula”, comenta ele, que trabalha com métodos ágeis há cinco anos.

Por outro lado, Wildt afirma que o treinamento é válido porque provê um ensino de qualidade. Mas somente isso não basta. "A posição da Agile Alliance é contra chamar estes cursos básicos e sem prova de certificação", afirma. 

Já Alexandre Magno, instrutor certificado que vai lançar um livro sobre Scrum em fevereiro de 2009, rebate as opiniões de Ambler e Wildt: “Muita gente que nunca fez o treinamento tira uma série de conclusões que são totalmente falsas”, afirma.

Magno esclarece que o título CSM é um início, mas não representa que o profissional seja praticante ou experiente em Scrum. “Para isto temos o processo para Certified Scrum Practitioner, o segundo nível de certificação da Scrum Alliance”, esclarece.

Competência
Para Daniel Wildt, as certificações são importantes, mas a experiência de mercado e a marca pessoal é que farão a diferença. "Uma certificação é algo simples e se o profissional não possuir experiência no assunto, será desmascarado rapidamente", sentencia o gaúcho.

Mercado
"Eu me coloco do lado do empregador. É mais fácil contratarmos alguém para uma função específica que já tenha sido certificado por uma organização isenta e confiável do que termos que testar esta pessoa", afirma César Brod, diretor da BrodTec e criador do i-Scrum, rede social dedicada a metodologia.

Mesmo assim, o empresário admite que experiência comprovada com casos e referências pode, em muitos casos, eliminar ou diminuir a necessidade de uma certificação.

Mudanças
Em abril de 2009, a Scrum Alliance dará início à aplicação de exames em todos as classes CSM. "Pouco mudará quanto ao significado da certificação. Além de representar que aquela pessoa participou do treinamento, representará também que ela teve seus conhecimentos testados em uma prova de múltipla escolha”, afirma Magno.

Desafios do Scrum no Brasil
Mário Bastos, diretor da DBServer - que tem registrado bons resultados na aplicação da metodologia -, aposta no crescimento do Scrum no país em 2009. Porém, não sem alguns desafios. 

"O Scrum muda radicalmente alguns princípios convencionais de projetos. Uma mudança de cultura necessariamente deverá acontecer na equipe de desenvolvimento em si e na equipe do cliente também", afirma.

Para Alexandre Magno, entretanto, este é o momento do desenvolvimento ágil de software mostrar que não é apenas um "adolescente raivoso" e que entende como as coisas funcionam dentro do mundo corporativo.

"Não adianta apenas programadores e arquitetos entenderem disto", comenta Magno. "Se não for ententido pelo resto da corporação, o desenvolvimento ágil está com os dias contados", completa.