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A prefeitura de São Leopoldo e a Unisinos apostaram alto para atrair a fábrica de semicondutores da HT Mícron, que anunciou oficialmente a escolha da cidade nesta quinta-feira, 21.
 
O prédio onde a empresa vai se instalar será pago pela universidade jesuíta. A obra deve custar US$ 10 milhões, financiados com um empréstimo do BNDES. 
 
A HT pagará à instituição um aluguel mensal pelo local, que terá 10 mil metros quadrados e será construído dentro do campus. É um modelo de parceria inédito no Brasil, garantem as partes envolvidas.
 
Por sua parte, a prefeitura ofereceu isenção de ISSQN por cinco anos – o valor da renúncia fiscal derivada não calculado – 5 mil KW de energia elétrica com rede redundante da AES Sul e CEEE, rede hidráulica de água tratada para 6 mil litros por dia e terraplenagem.
 
“Nos surpreendeu a agressividade, no bom sentido, das propostas apresentadas pela PUC-RS e Unisinos”, comentou durante a coletiva de anúncio oficial do empreendimento nesta sexta,  22, o presidente da HT, Ricardo Felizzola.
 
De acordo com o empresário gaúcho, que preside a Altus – uma das empresas que forma a metade gaúcha da joint-venture com os sul-coreanos da Hana Micron – a iniciativa das universidades mudou os planos da HT. 
 
Inicialmente, a empresa deveria ir para um espaço ao estilo distrito industrial, como era oferecido pelas cidades de Viamão e Alvorada, e não para dentro de um parque tecnológico. As obras de construção começam em março, a fábrica deve estar parcialmente produtiva em setembro e totalmente em março de 2011.
 
Impacto na Unisinos e São Leopoldo
A mobilização para atrair a HT – de acordo com Felizzola, é a primeira vez que uma instituição de ensino superior constrói as instalações de uma empresa no Brasil – se justifica pelo tremendo impacto sobre a cidade a Unisinos da vinda da companhia.
 
Só na primeira fase, a empresa deve investir US$ 30 milhões em equipamentos vindos da Coréia do Sul. Em cinco anos, os investimentos totalizam na fábrica US$ 200 milhões, com a meta de gerar até 2014 nada menos que US$ 1 bilhão em faturamento.
 
Até agora a única fábrica de semicondutores em solo nacional, a HT vai gerar uma demanda por mão de obra inexistente. Segundo uma estimativa de Felizzola, hoje só seria possível contratar 10% dos 1,3 mil empregados que a planta deverá ter quando o projeto estiver plenamente implantado, em 2015.
 
Pelo menos, 20% da equipe deverá ser formada por engenheiros e os demais por técnicos com alto nível de formação. O plano é formar boa parte dos recursos no Brasil e, mais especificamente, na Unisinos. 
 
Por estar enquadrada nos benefícios do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Indústria de Semicondutores, a HT deve investir 5% da receita em pesquisa e desenvolvimento, do qual devem participar professores e alunos da universidade jesuíta, com apoio do CNPq. 
 
Por sua parte, a universidade planeja obter recursos para pesquisa aplicada junto à Finep e outros órgãos.
 
Vale da Tecnologia?
Os benefícios da movimentação econômica gerada pela HT para São Leopoldo são difíceis de calcular no longo prazo. 
 
Mais fácil é observar o salto que a instalação da companhia representa para o Tecnosinos, parque tecnológico administrado pela Unisinos, Prefeitura de São Leopoldo, Associação Comercial, Industrial e de Serviços de São Leopoldo (Acis-SL) e da Associação de Empresas do Polo de Informática (AE Polo).
 
Se cumpridas as metas de faturamento, a HT Micron terá sozinha em 2015 quase mais do que o dobro faturamento do que todas as 50 companhias que compõem o Tecnosinos hoje.
  
A estimativa dos gestores do parque é que o grupo, do qual participam grandes como SAP, HCL e Stefanini, além de potências locais como Meta, SKA e CWI, fature, em total, R$ 830 milhões, ainda que empregue mais gente: 2,1 mil colaboradores.
 
Se mantido o ritmo de 30% de crescimento médio anual registrado desde a fundação do parque, 10 anos atrás, e sem considerar novas incorporações, ainda assim o peso específico da HT será grande: R$ 2,3 bilhões do parque, contra R$ 1,7 bilhões dos chips, pela cotação de hoje.
 
No momento, o céu parece ser o limite para o Tecnosinos. Em uma projeção divulgada em novembro do ano passado – muito antes que se ouvisse falar em HT Micron – os gestores do parque estimaram que em 2019, o Vale do Sinos como um todo deve abrigar 300 companhias de tecnologia de diversos portes, coroadas por um grupo de 20 grandes empresas que serão as âncoras de um cluster de alta tecnologia centralizado em São Leopoldo, no qual trabalharão 5 mil pessoas.
 
Depois de hoje, a previsão parece um pouco mais próxima.