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Câmeras que substituem o olho humano. Esta foi a aposta da gaúcha Ponfac Sistemas de Visão, dos sócios Moisés Pontremoli e Márcio Faccin, para desenvolver um novo mercado.

A tecnologia comercializada pela empresa consiste em câmeras conectadas a computadores, que substituem o olho humano no controle de qualidade de uma linha de produção, no monitoramento de placas de carros nas fronteiras, ou ainda no acompanhamento do fluxo instantâneo de visitantes nos corredores de shoppings, por exemplo.

Cerca de 50% dos clientes da Ponfac concentram-se no mercado automotivo e neste setor destaca-se o sistema criado para a Lear Corporation, fabricante de cablagem de automóveis, e que é utilizado por clientes como a General Motors.

O produto instalado no complexo da GM tem um custo de R$ 100 mil e realiza a interface entre a empresa automotiva e a Lear, que é responsável pela montagem das portas dos automóveis.

São três câmeras que realizam a conferência de montagem e garante que todas as portas montadas estejam de acordo com a ordem de produção expedida.

“Caso alguma das portas tenha alguma divergência, a linha de produção é paralisada e é efetuada a correção necessária. Assim, a Lear consegue ser um fornecedor padrão e com nível de excelência para a GM, contando com a ajuda do nosso produto”, explica Pontremoli.

Com sólida atuação na área automotiva, a meta da Ponfac para 2010 é partir também para o mercado farmacêutico e aumentar o faturamento em 30%.

“O mercado internacional de medicamentos é bastante forte no uso de sistemas de visão e a empresa quer trazer esse conceito para o Brasil e agregar o produto à sua linha de produção já no próximo ano”, revela Pontremolli.

Atualmente a Ponfac conta com mais de 200 sistemas instalados no país e espera fechar 2009 com 20% de crescimento.

Além do Rio Grande do Sul, a empresa possui clientes em Santa Catarina e Paraná, sendo que a maioria está concentrada em São Paulo.

Não há catálogo fixo, os equipamentos são customizados de acordo com sugestões e problemas trazidos pelos clientes. “Temos mais flexibilidade do que as empresas de outros países. Quando as outras não fazem, nós fazemos. O cliente tem uma determinada necessidade específica, e procuramos adaptar o sistema a elas”, descreve Pontremoli.

A Ponfac nasceu em 1997, com o objetivo de desenvolver um novo mercado focado na automação de fábricas e no processamento de imagens.

A ideia inicial era importar os sistemas de visão, mas como o produto ainda era novidade nos EUA e Europa, os sócios optaram por montar uma companhia própria e disponibilizar uma tecnologia integralmente deles.

Outro fator que contribuiu para o desenvolvimento da tecnologia no Brasil foi o suporte precário oferecido pelas companhias estrangeiras. Nenhuma das empresas consultadas se dispunha a dar um nível satisfatório de serviço e atendimento aos clientes da Ponfac, condição que os sócios consideram como fundamental para fazer um trabalho diferenciado.

“Se hoje a Ponfac atingiu um bom nível de vendas é porque investimos na qualidade do serviço: um cliente acaba trazendo o outro”, conclui Pontremoli.