A GetNet vai entrar em um novo mercado em 2012: terminais de autoatendimento, conhecidos no mercado pela sigla em inglês ATM.

 
Até o final do ano, a companhia especializada na prestação de serviços em tecnologia para meios de pagamento com sede em Campo Bom já deve ter prontos três protótipos.
 
Uma nova empresa chamada Saque e Pague será criada para comandar as vendas da novidade, liderada pelo Nori Lermen, executivo com 30 anos no mercado financeiro.
 
Lermen já foi presidente da  prestadora de serviços de tecnologia ATP, diretor comercial da fabricante de ATMs gaúcha Perto e diretor no Banrisul.
 
Além da GetNet, o projeto da Saque e Pague envolve também profissionais de outras empresas do grupo formado pelo empresário Ernesto Corrêa e Silva, como o banco Topázio, a empresa de multiconvênios Good Card e a prestadora de serviços de TEF Auttar.
 
“Cada uma dessas empresas tem uma parte do conhecimento necessário para fazer nosso ATM ser um sucesso”, acredita o diretor executivo de TI da GetNet, Cristian Cavalheiro, que deu uma entrevista exclusiva ao Baguete sobre o assunto nesta sexta-feira, 30.
 
A ideia é o ATM reúna serviços como recarga de celular e permita depósitos e pagamento de contas. 
 
De acordo com Cavalheiro, o grande diferencial do produto no qual a companhia trabalha é o fato de aceitar depósitos em dinheiro sem envelopes, armazenando as células segundo seu valor.
 
“Assim, o dinheiro que uma pessoa deposita pode ser sacado por outra. Em um ATM normal, 40% do custo de administração é a logística de mover e administrar o dinheiro”, avalia o executivo.
 
Os cheques serão reconhecidos usando a tecnologia de trucagem eletrônica, que opera com a digitalização do documento físico e já é adotada em peso pelo setor bancário brasileiro.
 
As máquinas serão montadas por fabricantes terceirizados, ainda em negociação.
 
Cavalheiro não revela as projeções de venda com as quais a empresa trabalha, mas aponta que o objetivo da companhia é colocar a máquina em peso no varejo, com configurações e serviços customizados segundo o cliente. 
 
“Olhando um mercado maduro como os Estados Unidos, dá para ver a quantidade de ATMs que podem ser instalados no Brasil”, analisa o diretor executivo de varejo da GetNet, Carlênio Castelo Branco.
 
O modelo de negócio pode incluir a administração das máquinas pela Saque e Pague, adianta Branco.
 
A extensão da rede da GetNet dá uma ideia da extensão das possibilidades: são 250 mil estabelecimentos com as máquinas de cartões da empresa instalados, número que deve dobrar até 2015. 
 
As cifras da GetNet sozinha também falam pela capacidade de investimento do discreto Correa em seu novo negócio. O faturamento em 2011 deve chegar a R$ 3,8 bilhões, com um EBITDA de R$ 210 milhões. Até 2013, as cifras serão respectivamente R$ 5,2 bilhão e R$ 438 milhões.