Um iPhone 4S de graça por alguns anos de contrato é a promoção de estreia do aparelho na operadora chinesa China Unicon.

Por US$ 45 (R$ 83) ao mês, ao longo de 24 meses, os clientes poderão levar para casa um modelo do smartphone Apple com 16 GB de armazenamento. Se for o de 32 GB, o contrato chega a três anos.

No primeiro caso, o gasto final será de US$ 1.080 (R$ 1990). No segundo, US$ 1.620 (R$ 2.985).

Além de não ter que pagar impostos de importação dos aparelhos, os chineses também têm a seu favor um marco regulatório mais flexível para telecomunicações.

Enquanto por lá os planos podem ser espichados por 36 meses, aqui a Anatel estabelece um limite máximo de 12 meses.

Segundo a agência, a amarra legal foi decidida em consulta pública – com contribuições da sociedade para a proposta – antes de ser votada em outubro de 2007, entrando em vigor em 2008.

Apesar de parecer restritiva frente a outros mercados, como o chinês ou o norte-americano, onde as fidelizações são mais elásticas, a Anatel vê a existência da possibilidade de fidelização, ainda que só por um ano, como algo bom.

A alegação é que há países em que a fidelização e o estímulo à contrapartida da operadora inexistem.

Independente de avaliações, o fato é que a condição faz ser impossível para uma operadora brasileira distribuir iPhones, acredita Eduardo Tude, presidente da consultoria especializada Teleco.

“Aqui, geralmente as teles dão desconto no aparelho ou nos serviços limitado a esse prazo. Por isso vai ser muito difícil encontrar uma operadora dando iPhone”, avalia Tude.

No caso das operadoras brasileiras, que trabalham com mensalidades 40% mais caras que a chinesa, e cobram pelo aparelho, o gasto total com um iPhone 4S de 16 GB ao final de 12 meses será de R$ 2.951.

Ou seja, quase R$ 1.000 a mais que o mesmo aparelho na China.

Se a operadora chinesa tivesse que seguir as regras de mercado do Brasil, ou seja, em vez de 36 usar 12 meses de fidelização, as parcelas seriam três vezes mais caras: de R$ 265.

O resultado traz uma diferença para mais de R$ 20 mensais (R$ 240 no valor total), em relação a uma oferta similar no Brasil – com o preço do aparelho diluído entre os planos.

Ainda assim, não dá pra esquecer que o iPhone na Unicon é, a grosso modo, 100% subsidiado.

“Isso só é possível pela negociação da operadora com a Apple a um preço menor”, arrisca Tude.

A estratégia da operadora chinesa, dizem analistas, é atrair usuários de dispositivos de alto nível que pretendem usar seus aparelhos pata jogar e assistir vídeos on-line, utilizando seus telefones.

“Subsidiando aparelhos mais caros como o iPhone, a Unicom pode ter que apertar as suas contas e reduzir o incentivo de compra para aparelhos de outros fabricantes”, diz Steve Liu, analista da Standard Chartered Bank, em Hong Kong.

A China Unicom não quis comentar se os planos que incluem a entrega gratuita de um iPhone 4S significariam custos mais elevados para a companhia.

Com início das vendas em 13 de janeiro, a mesma operadora está anunciando os modelos a US$ 199 (16 GB) e US$ 299 (32 GB). No caso do modelo de 64 GB, não citado na promoção dos US$ 45, o valor é de US$ 399.

Montados na própria China, os iPhones 4S estreiam no país custando o mesmo que nos Estados Unidos, nos contratos de dois anos, fora da promoção de estreia da China Unicon.

O modelo não será disponibilizado na China com desbloqueio.