A Foxconn, montadora do iPad, enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff em que manifesta o desejo de antecipar de novembro para junho a fabricação do tablet da Apple no Brasil.

Segundo informações publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo nessa sexta-feira, 06, o dono e CEO da empresa, Terry Gou, enviou uma extensa carta apresentando uma série de novas exigências para antecipar a linha de produção dos aparelhos.

O novo prazo exigiria, por exemplo, emissão imediata da passaportes e uma decisão para que Receita Federal defina o enquadramento tributário do tablet.

Conforme a Folha, o órgão hesita em classificar esses aparelhos como notebooks, pela inexistência de teclado físico. Essa equiparação levaria a uma redução de 9,25% de PIS e Cofins - daí a pressão da Foxconn, lembra o jornal.

De acordo com a reportagem, a decisão de antecipar a montagem do iPad e do iPhone se deve, segundo a empresa, a razões mercadológicas.

Aumenta a lista de pedidos
Na semana passada, Gou já tinha enviado uma pacote de exigências ao governo brasileiro.

A empresa quer ajuda do governo para encontrar sócios brasileiros, que seriam minoritários, e deixa claro no documento que parte dos US$ 12 bilhões virá também desses sócios, de incentivos fiscais e de financiamentos – o que reduz a bilionária cifra anunciada pela Foxconn.

Quanto seria essa redução não foi informado na matéria.

As demandas, repercutidas pela versão online da revista Forbes, incluem um vasto terreno para abrigar mais de uma divisão da Foxconn; internet de alta-velocidade; prioridade para exportação em portos e aeroportos; apoio financeiro do BNDES.

Além disso, a empresa quer fibra ótica em 100% dos escritórios.

Anunciada com entusiasmo em abril, a vinda da Foxconn – dos US$ 12 bilhões e mais 100 mil empregos – é vista com descrença pela indústria brasileira.

Em reunião há uma semana, em Porto Alegre, o presidente da Abinee, Humberto Barbaro, disse claramente que duvida dos planos e anúncios feitos pela chinesa, uma das maiores fabricantes de aparelhos eletrônicos do mundo, fatura US$ 100 bilhões, exporta cerca de US$ 86 bilhões ao ano.

“Alguém acredita? Eu não acredito!”, declarou Barbato.

Leia a matéria da Folha de S. Paulo nos links relacionados abaixo.