Analistas e empresários da indústria eletroeletrônica são unânimes em dizer que o Brasil não tem mão de obra suficiente para produção de tablets em grande escala.

João Maria de Oliveira, do grupo que estuda economia da informação no Ipea, diz que “nós (o Brasil) não temos mão de obra qualificada para dar suporte à continuidade do processo de instalação”.
 
“A nacionalização vai demandar grandes esforços para formação de mão de obra, uma questão delicada no Brasil”, concorda Rogério César de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial.
 
Fábio Bedran, gerente administrativo da empresa mineira MXT, que anunciou a fabricação do aparelho para o mercado corporativo, também ressalta o déficit de mão de obra.

“Acredito que existe sim, atualmente, em quase todas as áreas de atuação, o que, com certeza, implica em certa dificuldade de encontrar profissionais interessados e qualificados para o desenvolvimento e produção da indústria de tablet”, diz Bedran.
 
Conforme Bedran, a produção de tablets exige a contratação de engenheiros elétricos, engenheiros de radiofrequência e engenheiros de telecomunicação.
 
Outras qualificações envolvem preciso engenheiros de controle e automação e, para a fase de testes, bacharéis em ciência da computação e de técnicos de eletrônica.

A linha de montagem, que usa robôs e não é intensiva em mão de obra, e a linha de finalização do produto exigem trabalhadores com ensino médio.
 
A estimativa do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia é que o Brasil tem um déficit de 20 mil engenheiros por ano.

O cenário pode prejudicar a meta do governo, segundo a Agência Brasil, de ter uma produção significativa de tablets no Brasil até 2014.Brasil não tem mão de obra para tablets