Humberto Barbato. Foto: Cláudio Bergamann/Agência Office Press

A indústria elétrica e eletrônica está otimista: a previsão para o final do ano é de faturar até o final do ano cerca de R$ 125 milhões, o que equivale a um crescimento de 12% em relação a 2009.

Só no Rio Grande do Sul, o segmento é composto por cerca de 160 empresas, que obtiveram em 2009 faturamento de R$ 8,5 bilhões. A cifra, que representa um aumento de 7,5% em relação a 2008, respondeu por 4,16% do PIB gaúcho.

Em que pese tais números, a realidade em âmbito nacional parece não ser tão favorável assim: o déficit da balança comercial do segmento eletroeletrônico ficou em torno de US$ 10 bilhões no acumulado dos primeiros cinco meses do ano, segundo dados preliminares da Abinee - Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica.

De acordo com o presidente da associação, Humberto Barbato, que participou nesta quinta-feira, 08, da reunião-almoço na Regional da entidade no Rio Grande do Sul, a taxa de câmbio, que beneficia as importações e prejudica as exportações, é o grande responsável pela expansão do saldo negativo da balança comercial.

Na ocasião, Barbato destacou conquistas da gestão (2007-2010) como os produtos abrangidos pela lei de informática que ficam livres do IPI e a possibilidade de empresas beneficiadas por esta legislação também receberem os benefícios da lei de inovação. Segundo ele, o principal desafio do mandato se concentra na manutenção da competitividade tendo em vista a política cambial.

“Há pouco esforço do governo em relação ao câmbio, o que acaba colocando fora todo o esforço das empresas em manter-se no mercado. O país tributa inclusive quem investe. Contentamo-nos com o pouco que conseguimos”, protestou.

Segundo Barbato, a entidade não acredita que possa haver melhoras na política cambial, a não ser que o partido de oposição venha a ganhar as próximas eleições.

“O PT nunca apresentou outro modelo de câmbio, acha uma beleza o que está aí. Talvez até seja, para quem gosta de viajar e para os bancos. Qualquer país que leve a sério uma indústria não pratica esta política. O candidato da oposição, José Serra, pretende modificar isso, aliás, já declarou que o Banco Central não é a Santa Sé ”, concluiu o presidente.

Gaúchas são destaque para a Abinee
Em que pesem as críticas à política cambial, Barbato destacou que o Rio Grande do Sul acaba tendo vantagens no cenário.

“O estado é privilegiado por ter um parque industrial diversificado. Ao mesmo tempo que conta com indústrias mais tradicionais, possui outras que dependem de insumos importados, e essas são beneficiadas pelo câmbio atual”, analisou.

Para o presidente outro destaque do Rio Grande do Sul fica por conta da área de automação industrial.

“É um ramo com grande demanda atualmente, tendo em vista a automação bancária e o desenvolvimento nos setores de gás e petróleo. Onde a inteligência é fator predominante, as gaúchas tendem a se destacar”, complementou o presidente.

Em relação ao PIB nacional, a indústria elétrica e eletrônica tem participação de 4%. A Abinee acredita que o setor tem capacidade para atingir 7% até o ano de 2020.

Para que isto aconteça, de acordo com Barbato, é necessária uma série de ações de políticas industriais.

“Propomos medidas compensatórias, como aumento do imposto de importação para barrar os chineses e diminuição de encargos sociais em empresas que tenham a mão de obra como grande custo de produção”, elencou.