Um problema de execução de programa prejudicou e atrasou a emissão dos cartões com chip que irão substituir a carteira de identidade de cerca de dois milhões de brasileiros - o chamado Registro de Identidade Civil (RIC), lançado há mais de um ano pelo Ministério da Justiça.

A confirmação do problema foi feita pelo próprio ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que admite a falha na execução do programa, mas garante que será possível resolver o problema em um curto espaço de tempo.
 
"Há um atraso nesse programa, mas é justificável”, explica Cardozo.
 
Na prática, o RIC abrange um cartão magnético com impressão digital e chip eletrônico, onde são armazenados dados como nome, foto, filiação, naturalidade, data de nascimento, sexo e assinatura do usuário - tal e qual ocorre hoje nos RGs tradicionais.
 
Conforme o ministro, a projeção é de que todas as carteiras de identidade tradicionais do país sejam substituídas dentro de dez anos.
 
O RIC foi anunciado em dezembro de 2010, sob comando do ex-secretário executivo, Luiz Paulo Barreto, que passou o cargo a Márcia Pelegrini nesta segunda-feira, 09.
 
Quando do lançamento, o projeto previa a implantação de um piloto em Brasília, Salvador, Hidrolândia (GO), Nísia Floresta (RN), Rio Sono (TO), Rio de Janeiro e Ilha de Itamaracá (PE), envolvendo em torno de 125 mil moradores que seriam escolhidos aleatoriamente  e receberiam uma carta indicando a possibilidade de troca do RG pelo RIC.
 
A meta divulgada na época pelo Ministério da Justiça era de que o projeto consumisse investimento de R$ 90 milhões no primeiro ano.
 
Com o atraso no cronograma, Cardozo não explicita o valor já gasto ou se a projeção inicial será aumentada.
 
Conforme o ministro, um relatório atualizado foi requisitado para que, diante da saída de Barreto, seja possível retomar o projeto sem perdas.
 
"Vamos fixar um cronograma bastante rígido", afirma o ministro, sem estabelecer uma nova data para substituição dos RGs por RICs.