Tamanho da fonte: -A+A

A Unisinos e a HT Micron anunciaram nesta quinta-feira, 14, a construção de uma sala limpa dentro das instalações da antiga gráfica da universidade em São Leopoldo.

O local é considerado o início da “pré-operação” da  joint-venture formada pela sul-coreana Hana Micron e pela gaúcha Parit Participações S/A, e produzirá, já em setembro, chips que poderão ser usados em telefones celulares e cartões de banco.

O investimento de R$ 4,5 milhões em reformas e equipamentos foi bancado pela Unisinos, que alugará o espaço de 450 m2 para a  joint-venture até que esta conclua sua fábrica no campus.

“A construção dessa sala traz para o Brasil um conhecimento que não existia no país nessa área”, Ricardo Felizzola, presidente da HT Micron.

A sala limpa intermediária não estava, no entanto, nos planos inciais, tendo sido decidida no final de 2010, revela Felizzola.

“Para se escalar o Everest, é preciso fazer acampamentos no caminho”, explicou o empresário gaúcho, aproveitando no exemplo a presença, vindo diretamente da Coréia do Sul, do CEO da Hana, Chang Ho Choi, que recentemente subiu a montanha mais alta do mundo.

A inauguração da sede definitiva, com investimentos totais de R$ 200 milhões em equipamentos por parte da HT Micron, está prevista para maio de 2012.

O início das obras – o prédio em si custará US$ 10 milhões e será bancado pela Unisinos, no mesmo modelo de aluguel da sala – depende da liberação de uma licença ambiental pela prefeitura de São Leopoldo, o que é esperado para agosto.

Na nova fábrica de  9 mil m2, a HT poderá produzir cartões de memória DDR 3 e chips para memórias flash para USB e cartões de celulares.

O objetivo é suprir 20% da demanda total de semicondutores – hoje apenas 2% desse tipo de insumo é produzido no país – chegando a um faturamento de R$ 1,7 bilhão em cinco anos.

Uma vez que a HT se transfira, a Unisinos usará a sala limpa, cuja construção começou nessa quinta-feira, 14, para abrigar Instituto de Semicondutores da universidade, que engloba, além da joint venture, uma área de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) e de ensino.

A universidade de São Leopoldo também está investindo pesado em fortalecer sua pesquisa na área de microeletrônica.

Atualmente há quatro professores na Coreia do Sul realizando estudos na área de semicondutores e em modelos de cooperação entre empresas e institutos do setor.

A HT Micron espera gerar 700 empregos diretos e 500 indiretos em cinco anos, além de atrair outras empresas da cadeia produtiva de microeletrônica.

Felizzola comparou a vinda da empresa à instalação da Wolkswagen no ABC nos anos 60.

São empregos de alta qualificação – agora, quando ainda não está na fase industrial, a HT deve fechar o ano com 55 profissionais, a maioria deles doutores – que devem estimular a procura pelos cursos da área de exatas da universidade.

O posicionamento como um centro de excelência em tecnologia é uma forma da Unisinos se diferenciar, em meio a um mercado de educação superior cada vez mais concorrido no Rio Grande do Sul.

Se cumpridas as metas de faturamento, a HT Micron terá sozinha em 2015 quase mais do que o dobro faturamento e um terço dos funcionários do que todas as 50 companhias que compõem o Tecnosinos hoje.

Em 2009, o parque tecnológico leopoldense divulgou uma projeção de chegar a 2017 abrigando 300 companhias de diversos portes, coroadas por um grupo de 20 grandes empresas que serão as âncoras de um cluster de alta tecnologia.