Com um investimento de R$ 2,5 milhões, a paranaense Engemovi está desenvolvendo um robô capaz de executar tarefas que exijam força, rigidez e flexibilidade em ambientes de trabalho crítico.

Um primeiro protótipo já está em produção. A ideia da empresa é tornar-se uma fabricante desse tipo de equipamento, atendendo setores industriais como petróleo e gás, construção civil e outras áreas que exijam manipulação de metais.

Até chegar a uma linha de montagem em escala, no entanto, o caminho pode ser longo.

O próprio mercado de mecanismos manipuladores com capacidade de força, nas contas da Engemovi, deve levar de dois a três anos para amadurecer. Enquanto isso, a empresa pretende conquistar novos clientes e gerar caixa para a manufatura em escala.

2008 só um sonho
Além disso, esse aporte, da Petrobras, diz Ricardo Artigas Langer, gerente de software da empresa incubada no Tecpar, de Curitiba, é “quase nada” para um projeto desse porte.

“Em 2008, nossa proposta era de R$ 9 milhões, só para se ter uma ideia”, relembra Langer, um dos sócios da empresa, fundada em 2007.

Na época, explica o executivo, a queda no barril do petróleo levou a estatal a suspender os contratos.

“Era o nosso sonho, prejudicado pela economia”, lamenta Langer.

A Engemovi não foi a primeira startup que a Petrobras deixou na mão quando o barril os preços subiram mais de 100% entre janeiro e julho de 2008.

Com sede em Caxias do Sul, a Lupatech sente até hoje os reflexos com o adiamento das encomendas do principal cliente da empresa, a Petrobras. Recentemente a empresa anunciou que deverá receber um aporte do BNDES – que tem 11% da companhia – para amenizar sua crise financeira.

Usando a cabeça
A Engemovi tentou reverter o panorama, usando a cabeça, e deixando de lado a manufatura pesada.

“O que nós tentamos fazer (em 2008) foi converter a empresa em uma consultoria, de desenvolvimento de soluções, focada em projetos menores. Foi um jeito de fazer o nosso nome no mercado, buscando obter confiança dos investidores e clientes”, explica Langer.

Desde então, a Engemovi tem desenvolvido projetos e parcerias com Petrobras, PUCRio, Pipeway, Tecsis, Prysmian, ALL, UFSC, UTFPR, Copel e Lactec, totalizando 10 projetos entregues no triênio.

Aranha parruda
Voltado para setores industriais emergentes no Brasil, como petróleo e gás, o Hexaflex, como é chamado o equipamento, será capaz de soldar cascos de navios e plataformas, além de fazer outros trabalhos, que exijam até meia tonelada de força.

Entre as tarefas que ele executará estão a solda por atrito, também aplicável em rebites de aviões.

Outros equipamentos similares já existem. O trunfo do Heaflex, no entanto, é a sua flexibilidade e capacidade de operar em ambientes complexos.

“Ele parece uma aranha, com quatro patas. Isso permite que ele trabalhe em um trilho, se deslocando sobre essas guias. Na “barriga” (centro do equipamento) fica o mecanismo de modelagem e solda”, esclarece Langer.

O Hexaflex tem 1,5 metro de altura, 1,4 de largura e três metros de comprimento.

Uma nova versão, cujo protótipo deverá estar pronto no início de 2012, será maior, com uma capacidade de força de quatro toneladas.

2008 já foi tarde
Além da Petrobras, e dos outros clientes já na carteira, outra grande companhia já está em tratativas para usar os equipamentos da Engemovi. É um bom termômetro para o futuro do braço produtivo da companhia.

Caso tivessem fechado o contrato com a Petrobras em 2008, a empresa teria um aporte maior, mas a tecnologia iria embora junto com o produto. Agora, o projeto fica na casa.

“Queremos manter duas unidades separadas. Uma de desenvolvimento e outra de produção, em que vamos fabricar as unidades do robô. Foram três anos de espera, mas valeu à pena”, finaliza Langer.

Em 2011, a Engemovi, hoje com nove funcionários, vai faturar R$ 600 mil, com a expectativa de um crescimento de 40% para o próximo ano.

Petrobras dá força no Sul
No Brasil, uma das áreas mais prósperas com a descoberta da camada pré-sal está entre os estados do Espírito Santo e Santa Catarina.

O impacto econômico do pré-sal na região, contudo, é mais amplo, e estende-se ao Rio Grande do Sul. Os US$ 55 bilhões que a Petrobras investirá no pré-sal até 2015 abrem a oportunidade para a indústria da região tornar-se fornecedora dos 350 mil itens que a cadeia petrolífera demandará.

Além de estaleiros na cidade de Rio Grande, no litoral gaúcho, empresas de automação como a Altus, com sede em São Leopoldo, fechou contratos da ordem de R$ 120 milhões, envolvendo plataformas.