A unidade de P&D da HP no Tecnopuc, em Porto Alegre, está torcendo pela fabricação do tablet da marca em território brasileiro.

O aceno do CEO mundial da HP, Léo Apotheker, que prometeu o tablet com o sistema WebOS – herança da aquisição da Palm, há dois anos – traduzido para o português, acende expectativas.

WebOS vem primeiro
Segundo o diretor da unidade, que abriga mais de 300 funcionários no antigo prédio do 18º Batalhão de Infantaria Motorizada – hoje pertencente a PUC-RS – Cirano Silveira, a manufatura do TouchPad pode resultar em mais investimentos na capital.

“Já temos a previsão de um pacote de vagas nesse ano. A fabricação resultaria em mais pesquisa e desenvolvimento, que é feito, no Brasil, em Porto Alegre”, diz Silveira.

O diretor ressalta, por exemplo, que só a tradução do WebOS para o português já pode chamar mais atenção para o P&D brasileiro da fabricante – líder mundial e, segundo Apotheker, nacional na venda de PCs.

Espera-se que, em breve, o sistema operacional móvel vire o foco das atenções na unidade gaúcha.

“Hoje nós trabalhamos com várias plataformas. O e-print, por exemplo, começou com o Blackberry, passando para o Android e também iOS. O foco em WebOS seria apenas uma adaptação da multidisciplinaridade da equipe”, diz Silveira.

Todos querem talbets no Brasil
Com o sistema operacional já em território brasileiro, espera-se que o hardware venha na sequência. A HP não é a primeira a querer tablets produzidos no país.

Motorola, dona do Xoom, já à venda no país, e a Samsung, fabricante do Galaxy TAB, o primeiro tablet a chegar oficialmente ao mercado brasileiro, no ano passado, também querem planta local.

Mesmo soberana de mercado, Apple, poderá ter, em breve, a inscrição “made in Brasil” no verso dos iPads, a partir do início das operações da Foxconn, que em abril surpreendeu a presidente Dilma Rousseff, e a indústria braileira, com o anúncio de um investimento de US$ 12 bilhões em cinco ano no país.

O presidente da Abinee, um dos cépticos da promessa, chegou a declarar que, com o valor, se fariam quatro fábricas de tablets no Brasil. Cálculos e dúvidas à parte, a maior contribuição da gigante chinesa foi a lista de reivindicações apresentada ao governo Dilma para o início da produção, e dos investimentos.

Demandas coletivas
Desde que Terry Gou, CEO da Foxconn começou a mandar cartas com exigências, o governo começou a se mexer. Um dos mexes deve ser concretizado até o fim da semana, com a classificação, via Medida Provisória, dos tablets como PCs, o que resulta em benefícios fiscais.

Apotheker, o mandachuva da HP, fez engrossou o choro dos incentivos e declarou que “aplaude as reivindicações da Foxconn.

Mercado interno promissor
Além do excelente cenário econômico, na opinião de especialistas, os dois eventos de proporções internacionais – Copa do Mundo e Olimpíadas –, o Brasil consome tablets.

Segundo a IDC, foram 100 mil unidades comercializadas no ano passado. Até dezembro de 2011, prevê a mesma empresa, o número deve fechar em 300 mil, numa previsão feita com os preços do ano passado – ou seja, cerca de 30% superiores ao que deve chegar às lojas com produção nacional.

Somados os fatores, o clima é de otimismo na HP da capital. A empresa, destaca Silveira, já tem levado a sério o laboratório de P&D de Porto Alegre. Hoje, a capital abriga a maior estrutura de P&D da HP na América Latina – com uma área de 5 mil m².

Além disso, acrescenta o diretor, é também é a única a interagir com todos os setores de negócio e laboratórios da HP no mundo. Os planos iniciais incluiriam aumentar a área em mil metros quadrados, usufruindo do Portal Tecnopuc, e ampliar em 25% os postos de trabalho.

R$ 250 mi em cinco anos
Hoje, HP desenvolve projetos nas áreas de transformação digital, computação em nuvem e sustentabilidade no Tecnopuc, onde está instalado desde 2003.

A HP mantém 80 projetos de pesquisa no Brasil. Desses, 40 são realizados em parceria com instituições de pesquisa.

No Brasil, a empresa se beneficia da Lei da Informática (1991), que oferece desconto no recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) às que investirem parte do faturamento em P&D.

O investimento da HP em pesquisas no Brasil nos últimos cinco anos é de R$ 250 milhões. No mundo, a soma chega a US$ 3 bilhões ao ano.