A HT Micron já está atendendo seus primeiros clientes no Brasil.

 
A joint venture com participação da coreana Hanna Micron e do fundo brasileiro Parit, controlador da Altus e da Teikon, está na fase inicial de um contrato com três clientes brasileiros para compra de chips usados em telefones celulares.
 
Os chips fornecidos até o momento fazem parte de uma “fase de testes” que dará em breve lugar ao fornecimento regular do produto, revela o presidente da HT Micron, Ricardo Felizzola, sem dizer quais são os clientes ou o valor esperado do contrato.
 
“Nossa meta é fornecer três milhões dos 20 a 30 milhões que estimamos que seja a demanda mensal desse tipo de chip no país”, comenta Felizzola.
 
Além dos chips de telefones, os produtos encapsulados na HT Micron a partir de matéria-prima vinda da Coréia do Sul podem ser usado em cartões de banco e nos novos documentos que vem sendo projetados no país, adianta o empresário gaúcho.
 
No longo prazo, os chips produzidos hoje terão uma participação pequena no faturamento da HT – entre 5% e 10% do total, estima Felizzola – na medida em que a companhia comece fabricar produtos de maior valor agregado, como cartões de memória DDR 3 e chips para memórias flash para USB e cartões de celulares.
 
As projeções da empresa são de faturar US$ 300 milhões até 2012 e US$ 1 bilhão até 2015, de olho no déficit da balança comercial de semicondutores, que hoje é de US$ 17 bilhões.
 
Os chips estão sendo produzidos no momento em uma sala limpa construída dentro das instalações da antiga gráfica da Unisinos em São Leopoldo.
 
O local é considerado o início da “pré-operação” da HT Micron e teve um investimento de R$ 4,5 milhões em reformas e equipamentos foi bancado pela universidade jesuíta.
 
A instituição alugará o espaço de 450 m2 para a  joint-venture até que esta conclua sua fábrica no campus, cujas obras foram iniciadas nesta segunda-feira, 18, com a presença do governador Tarso Genro e mais de uma dezena de coreanos, representantes da HT e instituições universidades coreanas com a qual a Unisinos vem fazendo intercâmbios.
 
A previsão é que a obra esteja concluída até o segundo semestre de 2012 – um pouco mais tarde do que o previsto inicialmente, quando o prazo era maio – com um investimento de US$ 10 milhões por parte da Unisinos com financiamento do BNDES e de US$ 200 milhões em equipamentos por parte da HT Micron.
 
Quando estiver pronta, a fábrica será alugada pela Unisinos. Será a segunda maior instalação de encapsulamento e testes de chips da América Latina, só atrás de uma planta mantida pela Intel na Costa Rica.
 
O local onde atualmente está a pré-operação, será transformado então no Instituto de Semicondutores da universidade, que engloba, além da joint venture, uma área de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) e de ensino.
 
“Há 33 anos, quando eu era estagiário no Instituto de Física da Ufrgs me diziam que essa era uma boa carreira, porque o Brasil um dia seria grande em eletrônica”, brincou Felizzola, durante o discurso de inauguração das obras da fábrica da HT. “Estamos dando os passos para cumprir essa visão”, concluiu.
 
Parcerias no Seprorgs
Antes da cerimônia na Unisinos, sete integrantes da delegação estiveram no Seprorgs para uma reunião, acompanhados pela diretora executiva do Tecnosinos, Susana Kakuta.
 
O objetivo do encontro foi mostrar para os gaúchos o centro de desenvolvimento do estado de Chungcheong. O Seprorgs, por sua parte, tratou de apresentar as possibilidades de negócios de novas joint-ventures no estado.
 
“Como o foco dos coreanos é a produção de hardware eles querem fazer parcerias com empresas que produzem software. Os coreanos não permitem que os projetos se transformem apenas em paper. É preciso gerar receita, lucro e empregos por isso o interesse deles nessa parceria,” destacou Edgar Serrano, presidente do Seprorgs.