A guerra dos tablets soma sua primeira baixa entre os grandes fabricantes.

Após dois meses de venda nos Estados Unidos, o Touchpad, da HP, foi descontinuado pela fabricante nessa quinta-feira, 18.

Junto com o Touchpad, a empresa enterra US$ 100 milhões em tablets estocados, a plataforma webOS em devices – adquirida com a Palm em abril de 2010, por US$ 1,2 bilhão – e algumas esperanças do HP Labs em Porto Alegre.

“A transição vem depois de cuidadosa consideração sobre o que precisa ser ajeitado, o que precisa ser fechado, e o que precisa ser separado”, declarou o CEO da HP, Léo Apotheker.

Reabsorvendo estoques
Segundo cálculos do site Appleinsider, a HP estaria comprando de volta 260 mil tablets não vendidos.

A rede norte-americana Best Buy, por exemplo, teria comercializado apenas 25 mil unidades, conforme informações vazadas no início da semana. Os vendedores poderiam trocar os tablets retornados por crédito ou opções de compras de ações.

E o WebOS?
No mesmo pacote de anúncios esteva o fim da plataforma WebOS em dispositivos. A plataforma, no entanto, não estaria completamente abandonada.

Relatos de reuniões internas da HP vazados na internet indicam que a empresa estaria interessada em diversificar as plataformas em que o sistema operacional roda hoje – restrita à Qualcomm –, aumentando o rol de parceiros do software.

Tido como iPhone killer em 2009, o WebOS não conseguiu fazer frente ao smartphone da Apple, ou ao tablet, dadas as decisões da HP dessa quinta-feira. Ainda assim, executivos juram fidelidade ao sistema.

“Nós não estamos abandonando o WebOS”, disse Stephen DeWitt, vice-presidente encarregado pela  plataforma.

DeWitt hesitou, no entanto, em dar mais garantias: “é claro que ainda não temos todas as respostas”.

Tablet canarinho voou
A pá de cal sobre o TouchPad e o WebOS é surpreendente.

Na sua passagem pelo Brasil há três meses, Apotheker chegou a falar em planos de fabricação do tablet da marca no país, em função dos anúncios de incentivos do governo. Ele também prometeu os aparelhos, no Brasil, até o final desse ano.

A possibilidade foi especialmente bem recebida na unidade de P&D da HP no Tecnopuc, em Porto Alegre, para quem a fabricação no Brasil resultaria em mais pesquisa e desenvolvimento, “que é feito, no Brasil, em Porto Alegre”, declarou Cirano Silveira, diretor da unidade, à época.

Para o diretor, só a tradução do WebOS para o português já chamaria mais atenção para o P&D brasileiro da fabricante.

Na prática, apesar das promessas, não só o tablet, mas os telefones celulares da HP não tiveram tempo de chegar ao mercado brasileiro.

Cabe ressaltar, no entanto, que a unidade no Tecnopuc não vive de WebOS.

“Nós trabalhamos com várias plataformas. O e-print, por exemplo, começou com o Blackberry, passando para o Android e também iOS”, esclareceu Silveira, já em maio.

Além disso, destacou Silveira, a empresa já tem levado a sério o laboratório de P&D de Porto Alegre. Hoje, por exemplo, a capital abriga a maior estrutura de P&D da HP na América Latina – com uma área de 5 mil m².

E os PCs?
Segundo especialistas ouvidos pela agência Bloomberg, a HP se afasta cada vez mais do consumidor final, em direção aos serviços corporativos.

Além da investida de compra sobre a desenvolvedora de gerenciamento de conhecimento Autonomy, do Reino Unido, por US$ 10 bilhões, a HP estaria planejando uma operação em PCs em separado do seu negócio principal, o que mostraria aos investidores uma aposta num setor com margens maiores.

“O foco deles está mais em ser uma empresa software e serviços do que uma companhia de hardware”, declarou o analista Michael Gartenberg, do Gartner.

Conforme Gartenberg: “o ramo do hardware está cada vez mais difícil”.

No ano passado, a HP teve receitas de US$ 126 bilhões, e lucro operacional de US$ 11,4 bilhões.