O Batalhão da Polícia Militar Rodoviária de Santa Catarina (BPMRv) inicia nessa quinta-feira, 22, um projeto-piloto com sete tablets que serão colocados à disposição para atendimento em ocorrências.

Inicialmente, o investimento foi de R$ 10 mil, para a aquisição de modelos do tablet i-MXT, mesma marca já adquirida pela polícia militar de São Paulo no início do ano.

Numa segunda etapa, poderão ser utilizados 150 tablets.

De acordo com o Major Fábio, responsável pelo projeto, uma licitação será aberta para a aquisição dos novos aparelhos.

“Já ouvimos falar de aparelhos na faixa dos R$ 1.000. Tudo vai depender da licitação, mas calculamos uns R$ 100 mil para as novas aquisições”, pondera o militar.

Para realizar os atendimentos, a polícia vai usar um software do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) que permite acesso ao banco de dados, mapas,GPS entre outros serviços.

O sistema é desenvolvido pelo Deinfra, em parceria com a Softplan/Poligraph.

Ocorrência mais rápida
Com sistema operacional Android, os modelos possuem memória de 512 MB, expansível até 32 GB, as dimensões aproximadas de uma agenda escolar e pesam 650 gramas, além de conectividade sem fio via Wi-Fi e tecnologia 3G.

Segundo a corporação, a expectativa é de mais agilidade e facilidade no atendimento, além de dispensar o uso de qualquer tipo de papel nas ocorrências.

“Vai facilitar porque não teremos mais que ficar preenchendo tudo em papel. Vai agilizar na hora e também depois do atendimento das ocorrências”, explica.

Adeus papel
Tradicionalmente, a inserção de dados no sistema da corporação envolve a digitalização das informações escritas nos formulários em papel.

Entre os problemas, está a letra, às vezes escrita sob situações desagradáveis na estrada.

“Vento, chuva e bloco de papel não combinam”, diz Fábio, acrescentando que o próprio patrulhamento preventivo deverá ser melhorado, com mais agilidade no preenchimento e na compilação das ocorrências.

Além disso, dados como a localização dos incidentes serão automaticamente preenchidos, com base nas informações fornecidas pelo GPS do próprio tablet em uso pelos agentes.

Software facilitador
Foram seis meses de desenvolvimento do sistema, em parceria com a Softplan/Poligraph. Apesar da “demora”, salienta o Major, o resultado compensou, com uma interface simplificada para os policiais.

“Em 10 horas de treinamento o agente sabe operar o programa e o aparelho”, conta Fábio.

Uma próxima etapa da implantação do sistema vai permitir ainda registrar boletins de ocorrências, fazer anotações, relatórios e envios de informações aos seus respectivos comandos.

Tablet policial
Lançado no início desse ano pela mineira MXT Industrial, com sede em Betim, o i-MXT foi o  primeiro tablet 100% nacional do Brasil, lançado com preços entre R$ 1,6 mil e R$ 2 mil, com foco corporativo.

Desde então, novos modelos brasileiros foram anunciados, como o da catarinense Aiox e o da Paranaense Positivo.

Espera-se, também, que a produção nacional de marcas estrangeiras, como a Apple, que fabrica o iPad, barateie o preço final dos tablets em até 30%, graças aos incentivos fiscais do governo.

Malha catarinense
Na primeira fase, com o projeto em testes, os tablets serão utilizados nas rodovias da capital.

Hoje, o Batalhão da Polícia Militar Rodoviária de Santa Catarina (BPMRv) monitora 3,9 mil quilômetros de rodovias catarinenses.

De janeiro a dezembro de 2010, foram registradas 10,8 mil acidentes e 282 mortes nas rodovias estaduais de Santa Catarina, segundo dados do relatório estatístico do BPMRv-SC.