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A Sharp vendeu 10% das suas ações para a Hon Hai, empresa do grupo chinês Foxconn, que monta equipamentos da Apple, por US$ 808 milhões.

De acordo com o publicado no Wall Street Journal, o negócio mostra até que ponto a outrora dominante indústria eletrônica do Japão decaiu.

Até agora, diz o jornal, companhias japonesas vinham resistindo a ofertas de concorrentes estrangeiros mesmo quando seu domínio da indústria de eletrônicos cambaleava nos últimos 20 anos.

Em 2011, o cenário mudou, especialmente com o terremoto e o Tsunamide março.

Na Sharp, por exemplo, somente neste ano, as ações da Sharp caíram 26%, o que tem gerado preocupação entre os investidores sobre como a companhia levantará capital.

As preocupações talvez continuem. Com a venda da ações, a Sharp embolsa pouco mais de 2% do faturamento total de 2011 – de US$ 36,2 bilhões.

Para selar o contrato, o maior já feito pela Foxconn no Japão, a Sharp vai emitir novas ações para quatro empresas controladas pelo grupo chinês dando lhe uma participação de 9,9% em seu capital.

Com o acordo, anunciado duas semanas após o presidente da Sharp, Mikio Katayama, renunciar ao cargo, a Hon Hai também terá metade da participação em uma fábrica de painéis de LCD da Sharp, em Sakai, a oeste do Japão.

Além disso, aponta o Wall Street Journal, em troca, a Hon Hai passará a ser o maior acionista da Sharp e obter acesso a know-how tecnológico de que precisa para complementar seus negócios como maior fabricante terceirizado de eletrônicos do mundo.

O primeiro grande investimento estrangeiro numa empresa japonesa de tecnologia também destaca a rápida ascensão da Hon Hai.

Considerada uma potência na manufatura de eletrônicos — ela é, por exemplo, a maior fabricante dos produtos da americana Apple Inc., como o iPhone e o iPad — cujo faturamento de US$ 117 bilhões no último ano fiscal agora supera o da Sharp apesar de ser mais de 60 anos mais jovem.

Agora, avança sobre os efeitos do terremoto, que provocou um recesso na indústria pela falta de fornecedores.

O pesquisador do Bank of America, Merrill Lynch, por exemplo, avaliou, no início de 2011, que o fornecimento de tecnologias de hardware deveria levar até seis meses para retomar o ritmo normal.

Na mesma época, a Sony já planejava suspender temporariamente a produção em cinco fábricas no Japão por causa de problemas na obtenção de matéria-prima e componentes.
 
A produção de Bismaleimide-Triazine (BT) Substrates, usado em embalagens de chips, também será fortemente atingida, já que o Japão é responsável por 90% da produção mundial do produto.

A Sharp é diretamente dependente dessa indústria.