O Hana, solução de computação em memória da SAP disponibilizada para o mercado mundial em junho, poderá significar uma revolução na maneira como as empresas brasileiras lidam com as obrigações fiscais derivadas do SPED.

 
O SAP Labs Latin America, centro de desenvolvimento e suporte da multinacional localizado em São Leopoldo, começará em dezembro a trabalhar na localização das soluções fiscais específicas do mercado brasileiro para rodarem na plataforma.
 
“Foi uma das primeiras coisas que nossos clientes pediram”, revela Erwin Rezelman, presidente do SAP Labs Latin America. “O Hana é a solução quando o assunto são grandes volumes de dados”, completa o executivo holandês.
 
O Hana é um apliance no qual os dados compactados por um software especial da SAP são armazenados em memórias terabytes de chips de memória do tipo RAM, em hardware fabricado pela HP, Dell, Fujitsu ou IBM.
 
A combinação permite um acesso até 3,6 mil vezes mais rápido em comparação com os bancos de dados relacionais tradicionais baseados em discos de estado sólido, uma benção para empresas acostumadas a penar para extrair dos ERPs os dados necessários para atender ao SPED.
 
“Esse aumento de velocidade abre portas para fazer de simulações parte do planejamento fiscal das empresas, algo que hoje está fora de cogitação”, avalia Silmar El-Beck, vice presidente de Sustentabilidade e Novos Negócios da SAP Brasil. 
 
El-Beck destaca que processamento de tributos é uma operação crítica em grandes clientes, para os quais um dado equivocado pode significar milhões a mais em impostos a pagar, ou outros milhões em multas e horas de trabalho para acertar as contas com a Receita.
 
Falando em clientes potenciais, não se sabe ainda quem é o cliente que pediu a localização em curso no SAP Labs Latin America. 
 
A multinacional já divulgou que Marítima Seguros e a mineiradora Ferrous estão entre os primeiros a adotar o Hana, junto com outros dois clientes cujo o nome não foi revelado.
 
Melhorar a preparação dos softwares de gestão da multinacional alemã ao complexo ambiente fiscal brasileiro é uma das missões primordiais do SAP Labs Latin America, inaugurado com pouco mais de duas dezenas de profissionais em 2008 e atualmente empregando 515 especialistas.
 
“Antes, a localização era feita em cinco centros diferentes. Hoje temos isso concentrado e com uma equipe vezes maior dedicada ao tema”, revela Rezelman. 
 
A questão fiscal é apontada com frequencia por uma concorrência nacional versada na calamidade tributária verde amarela como o calcanhar de Aquiles dos alemães na sua propagada estratégia de penetrar no mercado de pequenas e médias companhias no Brasil.
 
Para grandes clientes como Gerdau, Sadia e Petrobrás, que lideraram o grupo piloto da nota fiscal eletrônica (a siderúrgica gaúcha integrou a NF-e ao R/3 ainda em 2006), a questão não representa um problema. 
 
O mesmo não pode ser dito sobre companhias menores, alvos de softwares baseados no conceito de customização zero e desenho  pré-configurado como o Business One, solução que tropeçou na questão tributária na sua estréia no país, em 2005.
 
Com o auxílio do SAP Labs Latin America, a questão parece estar sendo superada. O B1 tem hoje 1050 instalações bem sucedidas no país, o que em número de clientes – ainda que não, é claro, em faturamento – praticamente iguala o software às bases instaladas do R/3 e do All in One.
 
Se o Hana vai conseguir representar outro passo na localização crescente das soluções da SAP no mercado brasileiro o tempo e o trabalho dos técnicos da companhia em São Leopoldo dirão.
 
* Maurício Renner viajou a Campos do Jordão para o Encontro com a imprensa 2011 da SAP a convite da multinacional