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Faturar 15 vezes mais do que investiram, dentro de um ano, é a aposta dos sócios da starup de internet Catarse. Muita empolgação? É o que eles esperam por parte da sua principal fonte de renda: o público.

Seguindo o modelo de crowdfunding, ainda inédito no Brasil, o grupo espera financiar R$ 1,5 milhão em projetos em 2011, faturando 5% desse total.

Na teoria, catarse é a palavra pela qual Aristóteles designa a “purificação” sentida pelos espectadores durante e após uma representação dramática. É uma libertação de emoções.

Na prática, o Catarse é um site onde ideias de projetos são apresentadas em busca de patrocínio coletivo, quase por impulso.

“Batizamos o site assim pelo inusitado da palavra no mundo dos negócios e pela ligação com o modelo. O Catarse é movido pela empolgação com um projeto diferente”, explica  Diego Reeberg, 22 anos, um dos sócios.

Como funciona
O site abriga projetos que precisam de financiamento como peças de teatro, livros e guias turísticos.

Em cada proposta há um orçamento mínimo para execução. Os internautas podem colaborar com cotas, recebendo um prêmio – como ingressos ou cópias de livros – que varia em qualidade e quantidade, dependendo do desembolso.

Caso o projeto vingue, o Catarse embolsa 5% do total.

Se o valor total não for atingido dentro de um determinado prazo, todos os patrocinadores recebem seu dinheiro de volta. Nem o autor do projeto, nem o próprio Catarse, ganham.

“É um risco, mas estamos confiantes que vamos conseguir recuperar o nosso investimento inicial até o final do ano”, diz Reeberg.

R$ 1,5 milhão financiados
Até agora, diz Reeberg, o foram investidos R$ 4 mil, com mais R$ 1 mil previstos para ainda este ano. O sócio de Reeberg, o gaúcho Daniel Weinmann, 28 anos, da Softa, faz as contas do retorno.

“Queremos chegar a 600 projetos ainda em 2011. Estimamos que 50% destes sejam bem sucedidos e que o valor médio dos projetos seja de R$ 5 mil. Com isso, teremos financiado R$ 1,5 milhão em projetos e teremos faturado R$ 75mil”, calcula Weinmann.

O que entra no Catarse
A ideia é abrigar projetos específicos, com algum viés artístico ou social. Hoje, na página, há projetos envolvendo jornalismo, dança, design e esporte.

O que tem mais chance de vingar, até agora, é o Pulp Dance – uma proposta de espetáculo de dança que já arrecadou 28% do total necessário: R$ 4 mil. O prazo se encerra em 45 dias. Os projetos são apresentados com um breve vídeo, onde a proposta é explicada.

Inspiração gringa
Nos Estados Unidos, o site KickStarter usa o modelo de crowdfunding (financiamento pela multidão).

Entre as propostas já patrocinadas pelo site norte-americano estão um relógio de iPod Nano – que levantou quase US$ 1 milhão. Recentemente projetos de filmes independentes ganharam apoio do Instituto Sundance para bancar produções.

“Esta é a ideia por trás de projetos assim: mexer com a criatividade. Uma vez que o público se identifique, ele participa”, diz Reeberg.

Networking ajuda
Segundo o empreendedor, que também é curador do Catarse, uma boa ideia não é tudo. O perfil do proponente pesa. Pessoas que já foram responsáveis por empreendimentos no passado, e que tenham uma boa rede de contatos, por exemplo, tendem a ter mais sucesso.

“Cerca de 80% dos colaboradores de uma ideia vêm da própria rede de amigos da pessoa”, explica Reeberg.

O Catarse foi desenvolvido em dois meses e meio, contando com capital próprio dos envolvidos na startup. Até agora são seis projetos divulgados na plataforma.

Nenhum deles teve o prazo para arrecadação esgotado.

Completa o time de sócios o estudante da Fundação Getúlio Vargas Luis Otavio Ribeiro. O Catarse é o primeiro modelo de croudfunding a operar no mercado brasileiro.