A IBM é aquela típica vovó moderninha: aos 101 anos de idade, já não quer mais saber da tradicional definição de player de hardware, que hoje tem fatia de não mais de 18% da receita, e se ofende se for chamada de fornecedora de produto: o negócio agora é serviço, com base nos conceitos da moda como cloud, big data, consumerização e redes sociais.


Por exemplo: até a metade deste ano, pelo menos 200 mil funcionários da IBM já terão guardado no almoxarifado o computador do escritório e usarão seus dispositivos pessoais para trabalhar, com acesso à VPN e tudo.
 
Mídias sociais? Uso interno não só liberado, como também fomentado.
 
“Rede social não é site de relacionamento, é plataforma de colaboração e inovação. Incentivamos nossos colaboradores a usarem Facebook, Twitter, blogs, Linkedin, tanto para debates internos, que já geraram muito desenvolvimento, quanto para contato externo – ouvimos e respondemos o cliente, sim”, destacou Cezar Taurion, diretor de Novas Tecnologias Aplicadas da IBM.
 
Em palestra de abertura do Floripa TICs Fórum, que a Dígitro realiza em Florianópolis da segunda-feira, 10, à quinta, 12, o executivo deixou claro que na IBM o conceito de cultura é mais importante que o de política.
 
Bom senso é para tudo
Na IBM, não há uma lista de regras para uso das redes sociais, especificamente, mas sim um conjunto de  guias de comportamento para tudo: atuação na empresa, uso de telefones, computadores, Internet, tudo.
 
“Há regras a seguir para ser um IBMista, e todo funcionário assina termo de compromisso com isso quando entra na empresa”, conta Taurion. “Eu confio no meu colaborador, ou então não o contrataria. Se ele deixa vazar dados, põe em risco a segurança da empresa, não é uma questão de regra, política de comportamento, é uma questão de RH, de não saber contratar”, sentencia.
 
Tanto é que, na IBM, mais da metade dos colaboradores tem Linkedin, com apoio da companhia, e no Facebook  há páginas como o IBM Official, com 109.635 “curtidores”, World Community Grid, IBM Smarter Commerce, IBM Cloud, IBM Research, IBM Redbooks e IBM Brasil, para citar alguns.
 
Sem falar no @ibm e @ibmbrasil, blog Smarter Planet, Linkedin IBM Company, entre outros.
 
“Na Internet, a cada minuto são compartilhados 700 mil itens no Facebook, subidas 48 horas de vídeo no YouTube, assistidos dois milhões de vídeos também no Youtube e gerados 100 mil tweets. Mais: no Brasil, em 2010 havia 195 milhões de habitantes. No Facebook, havia 800 milhões de usuários registrados. Vamos ficar fora disso?”, questiona Taurion.
 
Debruçada na janela
Para ele, as ferramentas de interação da Internet acabaram com a janela de separação entre empresa e mercado. No máximo, se tem hoje uma “janela aberta”, segundo o executivo.
 
Uma janela na qual a IBM pretende se debruçar e namorar cada vez mais com o usuário.
 
“Em 2006, reunimos 150 mil funcionários, mais parceiros, usuários e familiares de colaboradores no primeiro brainstorm virtual de que tivemos notícia, e disso resultaram ideias que viraram inovação”, conta o diretor. “Não há como ficar de fora: as ferramentas de colaboração fazem parte das tendências de computação atuais e crescentes”, ressalta.
 
Tudo converge
Uma manifestação desta confluência tecnológica, segundo Taurion, é o Big Data.
 
“É uma tendência cada vez maior, e não é à toa, já que o volume de dados que mais cresce no mundo é o de não estruturados. Por exemplo: seu ERP gere as vendas que você faz, mas não as que você não faz, nem as razões por que não foram feitas. As redes sociais te mostram isso”, ressalta o diretor.
 
E soluções de big data, como os appliances da IBM para a área, permitem a gestão de tudo isso, segundo ele.
 
Netinho travesso
Porém, como nem tudo são flores, é claro que nem sempre a vovó liberal se deu bem: já houve casos em que a IBM se incomodou com exposição nas mídias sociais.
 
Taurion relatou que, há alguns anos, em uma convenção comercial da empresa, um discurso inflamado de um gestor sobre concorrência foi filmado por um colaborador da plateia e disponibilizado no Youtube.
 
“Foi um problema, claro. Tivemos de tirar do site”, conta o executivo. “Mas não passamos a proibir coisa alguma. Trata-se não de proibição, mas de educação”, finaliza.
 
* Gláucia Civa cobre o Floripa TICs Fórum a convite da Dígitro.