Nos dias atuais, aparentemente tudo precisa ter uma versão baseada em colaboração e comunidades online.

Não é diferente com design de produtos, como mostrou a apresentação da Quirky durante o segundo dia do Solidworks World, que acontece até a quarta-feira, 15, em San Diego, nos Estados Unidos.

Através do site, pessoas com ideia para um novo produto – uma extensão do tipo régua na qual as tomadas não fiquem bloqueadas, um utensílio tudo em um para escorrer massa e por aí vai – podem submeter suas ideias à avaliação dos 200 mil usuários cadastrados no site.

Toda semana, são postadas 2 mil ideias – os interessados devem pagar US$ 10 – das quais são escolhidas duas para serem destacadas no site. A partir daí, os membros da rede começaram a dar seus pitacos em tudo, desde o design até o nome, até o produto ser finalmente manufaturado.

Cada participante recebe uma retribuição de acordo com um ranking definido pelo site, podendo variar entre alguns centavos por unidade vendida até alguns dólares. Mais de 300 produtos já foram lançados assim.

O dinheiro vem a partir de uma porcentagem de 10% sobre as vendas em lojas físicas (a Quirky já distribui produtos em grandes varejistas como Toys R Us, Target e Barnes and Nobles) e 30% das vendas pela loja online.

O novo modelo de régua, que aposta em um design circular e é um dos hits da Quirky, com 200 mil unidades vendidas a US$ 23 cada em seis meses, o “pai da ideia” levou um cheque de US$ 28 mil.

A propriedade intelectual do produto pertence a Quirky, que registrou as pantentes, mas os 708 envolvidos e o criador do conceito, um estudante de 20 anos de Milwaulkee, tem royalties permantentes.

“Os partipantes dos projetos acabam ajudando na divulgação dos produtos espontaneamente. Não existe melhor sensação do que dizer 'eu ajudei a fazer isso”, comenta Ben Kauffman, um jovem de 25 anos que está comandando sua terceira startup de Internet.

A empresa visa explorar o sentimento de propriedade dos envolvidos colocando todos os nomes nos manuais de instrução, além do rosto dos criadores dos produtos nas caixas.

Apesar de toda a colaboração envolvida, Kaufman afirma que o Quirky não é – ou não é tão somente – um projeto de crowdsourcing.

“Eu acredito que esse chavão é uma moda passageira”, aponta o empresário, destacando que o Quirky mantém uma equipe de 40 profissionais em diferentes áreas da engenharia, encarregados de  fazer um trabalho profissional sobre as sugestões dos participantes.

Não menos importante, uma equipe de advogados pesquisa se os projetos não infringem nenhuma patente.

Do ponto de vista dos envolvidos, parece que funciona. Kaufman garante que nenhuma das pessoas participantes reclamou até agora dos valores recibidos.

Os investidores também estão colocando fé. Depois de começar sua carreira de empreendedor em série com o dinheiro de uma hipoteca da casa dos seus pais, Kaufman agora tem as portas abertas nos fundos de capital de risco.

Em agosto de 2011, a empresa levantou US$ 16 milhões junto a fundos de investimento, aumentando o valor total já investido no negócio para US$ 29 milhões.

Maurício Renner cobre o SolidWorks 2012 em San Diego a convite da DS SolidWorks.