Um juiz da Alta Corte de Londres concedeu liberdade condicional ao fundador do Wikileaks, o jornalista australiano Julian Assange, preso na semana passada por crimes sexuais.

No início da semana, Assange já havia sido libertado sob fiança.

Como os advogados que defendem os interesses da Suécia, país em que ele teria cometido os crimes, recorreram da decisão, Assange ainda corria o risco de ser novamente detido pelas autoridades britânicas.

"Vou conceder a liberdade condicional", anunciou o magistrado Duncan Ouseley.

O juiz decidiu não acolher o apelo apresentado contra a decisão da corte baixa, anunciada no início da semana, de permitir que Assange aguardasse em liberdade o julgamento de seu processo de extradição para a Suécia.

"A corte não abordará este caso partindo do princípio de que (Assange) é um fugitivo da justiça que está tentando evitar o interrogatório e o processo", argumentou o juiz.

Além disso, indicou que adotará as rígidas condições que haviam sido estabelecidas pela corte baixa na instância anterior: o pagamento de uma fiança de US$ 374 mil, a utilização de localizadores eletrônicos (provavelmente uma tornozeleira) e a definição de um toque de recolher.

O juiz fez apenas uma pequena modificação na lista de condições, acrescentando que o réu deve se apresentar regularmente a uma delegacia de polícia situada perto da residência.

Assange deve morar na mansão de um de seus colaboradores, Vaughan Smith, na cidade de Suffolk, leste da Inglaterra.

Smith é um ex-oficial do exército britânico que fundou o Frontline Club, onde o WikiLeaks baseia parte de suas operações.

A Suécia quer que a Inglaterra extradite o fundador do WikiLeaks para interrogá-lo no processo que corre na justiça contra ele - acusação de estupro e abuso sexual por duas cidadãs suecas.

O crime teria ocorrido em agosto em Estocolmo. Assange nega as acusações.