Dos 95 milhões de brasileiros que compõem a classe C, 45 milhões estão na internet. Público em ascensão no Brasil, o grupo tem exigido adaptação das estratégias de marketing online, geralmente voltadas para as classes A e B.

A resposta para atingir esse público, cada dia mais online, é a simplicidade, apontaram especialistas reunidos no 6° Fórum Internet Corporativa, realizado nessa terça-feira, 19, em Porto Alegre.

“Precisamos de uma publicidade online e de interfaces de sites e aplicativos de e-commerce que tenha linguajar popular que sejam explicativos. A própria palava e-commerce é um erro”, diz Jonatas Abbott, diretor de marketing da Dinamize.

Muitos usuários vindos da classe C - cuja renda familiar fica entre R$ 600 e R$ 2.099 -, começam a usar a internet através de Orkut e MSN, o que exige uma readaptação das empresas, que geralmente preferem Facebook e Twitter, explica Erni Schroeder Jr, gerente de marketing da Claro.

“A marca que conseguir se comunicar com simplicidade é a que vai ter sucesso”, defendeu Schroeder.

Estar na rede social certa não basta. A gerente de publicidade da Fiat, Maria Lúcia Antônio, defende cautela por parte das empresas.

“Entrar nas redes sociais é como ir numa festa. A gente não pode chegar lá e querer sair trocando a música, mudando a bebida e ir pegando logo a moça mais bonita. Tem que ver como funciona, sentir o ambiente, e então decidir como participar”, sugeriu Maria Lúcia.

Para Abbott, também é importante interagir com o público no mesmo nível de linguagem, o que pode ser conseguido por se colocar alguém oriundo da própria classe C à frente da interação.

“Tem que ser alguém que mantenha a conversação de maneira adequada”, completa o blogueiro do Baguete Diário.

Chamando atenção para a necessidade de investir em sites mais simples, Helisson Lemos, diretor-geral do Mercado Livre, se valeu de um conceito do hardware.

“Os sites, especialmente os de e-commerce, têm que ser mais fáceis, mais óbvios, mais claros. Tem que ser praticamente plug and play. As classes A e B já estão habituadas à internet como é hoje, já a classe C exige uma adaptação, se não eles vão embora”, insiste Helisson.