A Dynamo, agência porto-alegrense voltada à otimização de sites e links patrocinados, aposta no home office para crescer 20% em 2010.

Mais da metade do time – 14 pessoas em uma equipe de 24 funcionários - já trabalha baseada em casa.

E até o momento os resultados são positivos: a empresa cresceu 7% somente neste primeiro trimestre, segundo Pedro Superti, fundador da agência que tem nomes como Universal Music e Senac na carteira de clientes.

“Procuramos clientes que tenham também esse perfil. Se ele é tão preso a paradigmas de administração dos anos 70 que não consegue se sentir confortável com nosso perfil de trabalho, existem outras agências que possuem um perfil mais próximo do que ele busca e tenho certeza que poderão atendê-lo melhor”, declara Superti.

Ainda segundo ele, se apostar em home office causava certo preconceito em 2006, quando a agência foi fundada, hoje a característica tem se tornado diferencial.

“Para entregar o melhor resultado para o cliente, precisamos contratar pessoas com o máximo de experiência e know-how possível. Neste cenário, contratar uma pessoa local menos qualificada e deixar de contratar outra melhor qualificada e que mora em outra cidade é um desfavor à agência, ao cliente e ao mercado”, declara o profissional que fundou a Dynamo logo após voltar do exterior, onde faz cursos de especialização.

Após estudar Marketing de Consumo por dois anos no Japão, Superti passou uma temporada nos Estados Unidos cursando Business Management.

Conforme o diretor, ele aprendeu a mentalidade aberta do norte-americano, que, em sua definição, não se prende tanto a convenções e ao “status quo” - se tem a chance de inovar para conseguir o que quer, dá um jeito.

Foi na mesma época que o empreendedor conheceu nomes como Seth Godin, Stephen Covey e Rich Scheffren e trabalhou para agências digitais como web designer e gerente de contas.

Superti afirma que trouxe na bagagem os pilares do que gostaria de fazer em sua própria empresa, e o conceito de equipes virtuais estava entre eles.

“Foi quando pude ver pela primeira vez o poder da fusão entre o comportamento humano e o alcance da Internet. Lá pude ver de perto todo o desenvolvimento do movimento web 2.0 e como empresas fizeram fortunas usando estes dois elementos”, comenta.

Escritório virtual
O modelo da Dynamo consiste em uma estrutura mista que, segundo Superti, proporciona o melhor dos dois mundos.

Deste modo, posições de atendimento, planejamento e gerência são presenciais, para diminuir a chance de erros de comunicação. Uma vez que os planos de ação para cada projeto foram estabelecidos e aprovados pelo cliente, é acionada a equipe de desenvolvedores e consultores externos.

E para que o modelo funcione, a equipe é formada por pessoas auto-gerenciáveis, afirma o diretor.

“Como não há um supervisor, prezamos menos pela técnica, uma vez que há treinamento posterior, e mais por fatores como senso de responsabilidade, comunicação clara, responsabilidade, pensamento coletivo e assertividade”, declara o profissional.

Além disso, todos os processos seguem um passo a passo padrão, para que se possa mensurar corretamente o número de horas envolvidas em cada etapa.

Presente ou produtivo?
Superti explica ainda que, do ponto de vista do empresário, a equipe virtual elimina a “ilusão de produtividade” que se pode ter ao ver as equipe correndo, falando ao telefone e mexendo nos papéis em sua mesa.

“Estar ocupado não significa ser produtivo. São somente os resultados que pagam as contas no final do mês”, taxa ele.

Escassez
O diretor também declara que há dificuldade em encontrar profissionais de SEO e SEM com o perfil certo e com o conhecimento técnico necessário, especialmente em Porto Alegre.

Deste modo, a empresa contrata profissionais de áreas relacionadas, como programação, análise de sistemas, webdesign e jornalismo, e depois pode treiná-los.

“Temos uma intranet riquíssima em recursos como artigos, vídeos e tutorias. Assim, a pessoa pode aprender a teoria, executar alguns teste para aplicação prática e lentamente começar a receber tarefas referentes aos projetos, gradativamente recebendo mais e mais até eventualmente assumir uma posição de líder de equipe ou gerente”, explica.

Cases
A Dynamo posicionou um hotsite especial da Universal para a cantora pop Riahnna no Brasil em primeiro lugar nas buscas, antes mesmo do site oficial da cantora. O hotsite, aliás, aumentou significativamente a visitação ao website da artista.

Além disso, uma campanha criada para o Senac, aumentou consideravelmente o número de inscritos nos cursos da instituição.

Entretanto, o case que Superti destaca como um dos principais para a agência é o nada convencional projeto para uma empresa de fitas adesivas.

A companhia, que tinha experiência zero em Internet, dependia de dezenas de representantes em todo o Brasil. O trabalho da Dynamo transferiu a demanda para a web, otimizou as páginas de vendas e apostou em Links Patrocinados.

Em menos de um ano, a fabricante de adesivos reduziu o número de representantes regionais para três e centralizou as vendas no site e no tele-vendas.

“Isso resultou em um aumento de quase 70% das vendas e 380% de novos clientes. A companhia abriu um nova fábrica na zona franca de Manaus e hoje é líder de mercado no Brasil”, comenta Superti.

Mercado
Ainda não há números consolidados no Brasil sobre o home office, mas nos Estados Unidos cerca de seis milhões de pessoas trabalham regularmente em casa, sendo que mais da metade são profissionais liberais.
 
De acordo com relatos, a Sun Microsystems, por exemplo, economiza em torno de US$ 70 milhões anualmente com esse tipo de iniciativa.
 
Empregos que prestam serviço de suas casas para Best Buy, JD Edwards e American Express produzem de 20% a 40% mais do que os trabalhadores que se locomovem até as sedes das empresas, segundo a pesquisa "Undress for Success - The Naked Truth about Working From Home", conduzida por Kate Lister e Tom Harnish.