Uma força-tarefa da Polícia Federal, Ministério Público e Ministério Público de Contas investiga uma suposta fraude na área de Marketing do Banrisul. Conforme denunciado por uma testemunha, teria havido superfaturamento em alguns projetos, envolvendo as agências de publicidade DCS e SLM.

Nesta quinta-feira, 02, a PF executou 11 mandados de busca e apreensão, tanto nas agências, quanto no departamento de marketing do banco e nas residências de envolvidos.

A testemunha que fez a denúncia, há cerca de dez meses, teria atuado como prestador de serviço em um dos projetos supostamente superfaturados – com valor real de R$ 350 mil, a ação teria sido orçada em R$ 546 mil.

Ao todo, as investigações dão conta de supostos R$ 10 milhões desviados em diversos projetos da área de marketing da instituição financeira gaúcha.

O presidente do conselho administrativo do banco, Ricardo Englert, afirmou que já houve suspensão de pagamentos às empresas terceirizadas sob investigação, e que, se confirmadas as denúncias, todo o dinheiro desviado será devolvido.

“Mas é importante lembrar que não houve irregularidade nos pagamentos feitos pelo banco, e sim desvios na destinação deste dinheiro”, declarou ele, em declaração durante à Expointer. “Vamos investigar o possível envolvimento de servidores do Banrisul, os advogados do banco já foram acionados para averiguar o caso”, complementou.

A diretoria do banco emitiu, no fim da tarde desta quinta-feira, 02, uma nota oficial sobre o assunto. Confira a íntegra do material:

 

"A Diretoria do Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A, em reunião realizada no dia 02 de setembro, na Sede da Instituição, analisou os termos da representação ministerial (processo nº 001/2.10.0088058.1), e que ganhou repercussão pública. Após a análise dos fatos, julga relevante destacar o que segue:

1.     O Banrisul mantém sistemas rigorosos de controle interno e sistemas igualmente rígidos de controle externo, de modo que seu excelente desempenho econômico guarda estreita vinculação com pautas de boa governança corporativa;

2.    Supostas irregularidades detectadas pelo sistema de controle, sejam internas, sejam externas, merecem total atenção da Diretoria do Banco e rigor em sua apuração, preservando-se, no entanto, pautas institucionais e jurídicas de atuação;

3.    Vê-se surpreendido com as investigações estabelecidas a partir da representação do Ministério Público, na medida em que as investidas para apurar materialidade e autoria supostamente delitiva, não podem mesclar a responsabilidade de outrem com a conduta ética e mercadologicamente responsável do Banrisul, que termina por experimentar efeitos indesejados sem que tenha concorrido para quaisquer das situações investigadas;

4.    Ressalte-se que o Banco é e sempre foi solidário com as instituições fiscalizadoras, sendo que, no caso concreto, reafirma seu compromisso ético com a boa governança corporativa, a despeito de eventuais danos diretos ou indiretos à imagem do Banco.

5.    Tem certeza que as investigações chegarão a bom termo, de modo rigoroso e célere, para que, caso comprovados os danos, eventuais responsáveis restem identificados e os prejuízos sejam ressarcidos ao BANRISUL.

6.    A Diretoria do Banrisul externa sua preocupação com a exposição pública da instituição com base em apontamentos iniciais, não sendo valorados os rígidos controles a que se submete constantemente e que atestam a lisura de todos os expedientes e procedimentos.

A Diretoria"