Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 45% das empresas industriais brasileiras que competem com a China perderam participação de mercado interno em 2010.

Nos segmentos de material eletrônico e de comunicação e têxteis, a competição interna com os chineses é especialmente intensa, atingindo mais de 70% das empresas dos dois setores.

A Sondagem Especial China entrevistou 1.529 empresas entre 4 e 19 de outubro último, atuantes em quatro setores – produtos de metal, couros, calçados e têxteis.

No setor de couros, 31% das empresas pesquisadas informaram perda significativa no ano passado.

Segundo o levantamento da CNI, embora as pequenas empresas estivessem menos expostas à disputa com produtos chineses, foi esse o grupo que mais sofreu os impactos da concorrência no mercado interno.

O gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, que divulgou a pesquisa, atribuiu principalmente à valorização cambial o processo de perda de mercado.

“Há fatores de competitividade bem mais favoráveis para a China, como custo salarial menor, juros mais baixos, infraestrutura mais eficiente, escala de produção muito maior, menores barreiras burocráticas, mas o fator mais relevante é o câmbio”, assinalou.

O estudo da CNI mostra que a concorrência interna com produtos da China afeta uma em cada quatro empresas industriais brasileiras, alcançando 28% delas.

A exposição à concorrência, observa a entidade, aumenta conforme o tamanho das empresas.

O percentual das pequenas empresas que afirmam concorrer com produtos chineses no mercado doméstico é de 24%, enquanto nas médias é de 32% e alcança 41% entre as empresas de grande porte.

Leia a matéria sobre o levantamento na agência CNI.