Comunicado do grupo francês Carrefour divulgado nessa segunda-feira, 04, indica que a empresa aprovou o plano de fusão com o Pão de Açúcar no Brasil.

Segundo a Folha de S. Paulo, o projeto, que não é aceito pelo grupo francês Casino – rival do Carrefour e sócio do Pão de Açúçar –, prevê a fusão dos ativos brasileiros do Carrefour com os da CBD (Companhia Brasileira de Distribuição).

A empresa resultante da junção, intitulada NPA (Novo Pão de Açúcar), vai responder por 27% do mercado varejista formal no país ou 16% do total, incluindo na conta também os informais.

A nova empresa vai repartir o Pão de Açúcar com o grupo francês Carrefour, na base de 50%-50%. O NPA, por sua vez, terá 100% da filial brasileira do grupo Carrefour, informa o site do jornal.

Ainda de acordo com a Folha, a proposta contempla uma injeção maciça de capital, de R$ 5,7 bilhões, sendo R$ 3,86 bilhões do BNDESPar (braço do BNDES) e mais R$ 1,82 bilhão da controladora.

O empresário Abilio Diniz, presidente do conselho do Pão de Açúcar, terá 17% do NPA. Já o Casino, que se manifestou contra a fusão, teria 29%. Neste mês, o Casino ampliou sua fatia na NPA para 37%.

Agas é contra
Anunciada na semana passada, a fusão tem sido alvo de críticas de empresários e líderes de classe.

No Rio Grande do Sul, o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo, diz que o negócio poderá criar um problema não apenas para o varejo, mas principalmente para a indústria e os consumidores.

“Uma empresa com esse gigantismo vai impor preços”, prevê Longo

Segundo Longo, o Carrefour está há 30 anos no Brasil e nunca colocou sequer um produto brasileiro em suas gôndolas em outros países, e o Pão de Açúcar atualmente possui em suas prateleiras de vinhos um mix composto por 95% de importados.

“Espero que, se as empresas confirmarem o acerto, o negócio esbarre no Cade”, finaliza Longo.