Tido por observadores como fundamental para alavancar a presença brasileira na Cebit 2012 – ano no qual o Brasil será país parceiro, uma posição de destaque – o apoio do governo deu sinais de fraqueza no lançamento do Projeto Brasil País Parceiro da CeBIT 2012.

 
Durante a cerimônia de lançamento, realizada em São Paulo nesta segunda-feira, 03, o governo brasileiro não foi representado por uma figura do primeiro escalão político. 
 
O embaixador Affonso Emílio de Alencastro Massot, chefe do escritório de representações do Ministério das Relações Exteriores em São Paulo, compareceu representando o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota.
 
Massot é um funcionário de carreira da diplomacia brasileira, com passagens pelas embaixadas da República Tcheca e da Grécia.
 
Do lado alemão, viajou a São Paulo o primeiro-ministro da Baixa Saxônia, David McAllister, estado onde se localiza Hannover, cidade sede da CeBIT. McAllister se encontrou antes do evento com o governador de São Paulo, Geraldo Alkmin (PSDB-SP).
 
A Baixa Saxônia é o segundo em área e o quarto em população entre os 16 estados que compõem a Alemanha, com uma participação total no PIB de 8,56%, equivalente a R$ 707 bilhões em 2010. O valor representa quase os PIBs do Rio de Janeiro e Minas Gerais somados. 
 
O interesse do governo brasileiro é importante porque serão necessários incentivos para incrementar a participação de empresas e centros de pesquisa brasileiros na CeBIT, que é tradicionalmente tímida.
 
A média dos últimos anos é de 400 m2, dos quais 250 ficam com algumas grandes companhias da área de automação bancária como Perto ou de telecom como a Digistar e outros 150 são divididos entre dezenas de empresas de porte médio e pequeno, dentro da missão brasileira organizada há mais de uma década pela Softsul.
 
No evento de lançamento, Constantino Bäumle, diretor da Hannover Fairs do Brasil, representante da Deutsche Messe, estimou participação brasileira em 100 expositores – na última edição, foram 30 - e disse que 1 mil m2 de espaço já estão contratados.
 
Como base de comparação, o último país parceiro foi a Turquia, que contratou 3 mil m2 de feira.
 
O país tem o menor PIB dos últimos participantes, sendo metade do brasileiro, com um gasto interno de US$ 6,1 bilhões em TI, cerca de seis vezes menor que o Brasil.
 
Prioridades
O custo do espaço, da construção e das taxas para 3 mil m2 na Cebit 2012, calculando por baixo, ficaria em R$ 6,3 milhões.
 
Supondo que o gasto total em promover a participação no Brasil na feira pudesse custar dez vezes mais que isso, ainda seria menos do que um décimo do orçamento previsto da reforma do estádio Mané Garrincha, em Brasília.
 
A obra mais cara da Copa de 2014, tida também como a maior candidatas a se transformar em um elefante branco de 71 mil pessoas após o evento, está orçada em R$ 745,3 milhões.