O Rio Grande do Sul deve anunciar em até 45 dias uma política industrial própria, na qual terão destaque incentivos para empresas participarem de feiras e eventos no exterior, como a Cebit, que começa nesta terça-feira, 06, em Hannover, na Alemanha.

A afirmação é do governador Tarso Genro (PT-RS), que falou a empresários gaúchos em um café da manhã em um hotel no centro da cidade alemã nesta segunda, 05.

“O estado vai estar presente, bancando o setor empresarial”, garantiu Genro, em entrevista exclusiva à reportagem do Baguete Diário logo após o café. “Vamos dar incentivos iguais ou maiores aos concedidos às empresas e instituições que vieram a Cebit”, destaca.

Ao todo, 16 empresas e três parques tecnológicos – Tecnosinos, Tecnopuc e o ainda em fase de projeto Parque Tecnológico da UFRGS – estão participando da feira, com incentivos que chegam a 80% do custo total.

A participação gaúcha ainda inclui um estande próprio do governo do estado e outro com empresas organizadas pela Softsul, com incentivos de até 90% do governo federal. Completam o quadro estandes de grandes empresas como Perto e Digicon, que tradicionalmente participam da feira.

O Brasil é o país parceiro da Cebit 2012, pelo que se espera uma participação maior em termos de estandes, nos quais a presença brasileira neste ano ocupa 1 mil metros quadrados, cerca do triplo do habitual.

O discurso de Genro, no entanto, dá a entender que os incentivos daqui para frente serão sistemáticos e não estão ligados à condição especial do país no evento neste ano.

Segundo o governador, a participação o aumento da participação em feiras internacionais é parte de uma mobilização para reverter o “desconhecimento” sobre o Rio Grande do Sul como destino de investimentos produto de “falta de iniciativa de apresentação, informação e acolhimento” dos interessados.

“Muitas das empresas que vieram ao estado recentemente, não tinham o Rio Grande entre os candidatos iniciais”, revela Genro, para quem a política de atração de novos empreendimentos para o estado ainda estava numa fase de “capitalismo clássico” tendo como meta atrair “grandes fábricas”, deixando de lado os investimentos na área de tecnologia.

Além dos incentivos a participação em feiras, cujo impacto é mais imediato para as empresas, a política industrial gaúcha promete benefícios mais a longo prazo para o ambiente de inovação no estado.

O governador  destacou entre as ferramentas da nova política industrial a abertura de novos canais de financiamento e estímulos fiscais para a formação de parcerias entre empresas gaúchas e estrangeiras, com possibilidade participação acionária através do Badesul.

O marco legal para a política industrial – que vem sendo adiantada desde o começo do governo Tarso contempla ainda a criação de fundos de investimento de R$ 100 milhões para áreas chave como petróleo e gás, semicondutores e TI – será a Lei de Inovação, aprovada em 2009 pela então governadora Yeda Crussius (PSDB-RS).

A nova lei, no entanto, só regulamentou até agora o Pró-Inovação, programa de incentivo à inovação em produtos, processos e serviços nos moldes do Fundopem, e precisa ainda incluir ferramentas nos moldes das apontadas por Genro.

“A política industrial e nova lei de inovação vão representar um marco sem precedentes no Brasil para atração de investimentos na área de tecnologia”, garante o secretário da Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico (SCIT) gaúcho, Cleber Prodanov, que também está em Hannover, onde fará uma palestra sobre as possibilidades do Rio Grande do Sul na quarta, 07.

De acordo com Prodanov, o novo marco legal pode se combinar com a reconhecida qualidade da mão de obra local e o cenário em expansão dos parques tecnológicos para contrabalançar a “competição predatória” de estados como São Paulo e Rio de Janeiro em termos de incentivos fiscais.

O desempenho da pasta de Prodanov foi destacado durante a apresentação de Genro, que destacou que no primeiro ano a SCTI moveu recursos de “10 a 15 vezes superiores” ao governo anterior.

No começo do governo petista, Prodanov apontou a meta de captar R$ 400 milhões em quatro anos, dos quais R$ 153 milhões para bolsas de pesquisa e parques tecnológicos já foram liberados no primeiro ano, através de um convênio com a Capes.
 
* Maurício Renner cobre a Cebit 2012 direto de Hannover à convite da Softsul.