José Serra. Crédito: Rosi Boni

O Rio Grande do Sul vive, historicamente, uma situação de subinvestimento do governo federal, amargando uma das maiores dificuldades de incentivos do país. A afirmação é do pré-candidato do PSDB à presidência da república, José Serra, que esteve em Porto Alegre nesta quarta-feira, 05.

Segundo ele, o Brasil não tem um plano nacional de desenvolvimento regional, só uma política macroeconômica, pela qual o estado seria prejudicado. “Tem-se um Ministério da Integração, que trabalha em uma política macro-regional que foca áreas menos desenvolvidas, mas as micro-regiões ficam desatendidas. E o Rio Grande do Sul é a principal vítima desta política”, declarou Serra, em palestra no Tá na Mesa da Federasul.

De acordo com o pré-candidato, o estado, assim como o Rio de Janeiro e Pernambuco, pelo potencial econômico que apresentam, deveriam receber atenção especial do governo federal em termos de investimento.

Além disso, para Serra o Rio Grande do Sul merece mais destaque por ter um bom potencial de industrialização e exportação, além de ser "colonizador do país nas últimas décadas", protagonizando o desenvolvimento da agricultura em locais como Mato Grosso, Rondônia, algumas regiões da Bahia e Paraná.

Os culpados
Para o pré-candidato do PSDB, dois fatores estão no topo do que prejudica o estado: câmbio e juros.

“A valorização excessiva do real acaba sendo prejudicial para quem trabalha com dólar. O estado faz fronteira, por exemplo, com a Argentina, onde você pode comprar gasolina muito mais barata do que aqui. Perde competitividade”, avaliou Serra.

Quanto aos impostos, o foco foi o setor coureiro-calçadista. “A China, há tempos, levou especialistas de várias áreas deste setor do Rio Grande do Sul, de São Paulo e de outros locais para lá. Hoje, como paga muito menos imposto, vende muito mais barato e vence o Brasil no mercado exterior. Em breve, poderá vencer também no nosso mercado interno”, alertou.

Mercosul
Serra também fez críticas ao Mercosul.

“Sou crítico do Mercosul desde 1991, 92, quando era deputado. Creio que o modelo de zona alfandegária adotado tira a autonomia dos países e os prejudica. Além do mais, não há uma política de livre comércio – tenta vender açúcar para a Argentina, vê se você vai conseguir”, apontou o pré-candidato.

Livre comércio falho
Mas o Mercosul não foi a única fonte de crítica de Serra quanto à política de comércio exterior brasileira.

“Nos últimos oito anos, 100 acordos de livre comércio foram firmados no mundo. Sabe quantos o Brasil fez? Um, com Israel. E ainda com restrições quanto à importação de produtos vindos de assentamentos”, declarou. “É preciso participar mais destes acordos porque isso é abrir mercado para o país, é crescer”, complementou.

Se eleito for...
Para um possível mandato como presidente, Serra foi enfático: serei o presidente da produção.

Segundo ele, os setores agrícola e industrial receberão muita atenção, com especial foco na questão de seguros e financiamentos para o setor rural.

Além disso, Serra revelou o plano de priorizar também outros três setores: saúde e segurança, educação e emprego.

No primeiro item, os principais investimentos deverão ser destinados à liberação de recursos públicos para o tratamento e recuperação de dependentes de crack, combate ao tráfico de drogas e de armas.

Já no segundo, o foco serão cursos profissionalizantes, o que converge ao tópico “emprego”.

“Precisamos capacitar para gerar emprego. Se você perguntar hoje a qualquer pai cuja família viva inteiramente do Bolsa Família o que ele mais deseja, ele lhe dirá que é emprego para os filhos, renda familiar”, afirmou o tucano, que se define, em um possível mandato, como "o presidente da produção".

Pós Lula
E sobre o próprio Bolsa Família, Serra foi categórico em afirmar que manterá o programa, fortalecendo-o com mais ações focadas na geração de emprego.

Ética
O pré-candidato também garantiu que, em um possível mandato seu, deputados não poderão indicar secretários, sub-secretários ou diretores de estatais.

“Se um cargo destes é indicado, ele responde ao partido que o indicou, e não ao poder superior correto”, destacou Serra.

O político também afirmou a convicção de reduzir o máximo possível de cargos de comissão no governo.

“Sou a favor de concursar”, finalizou Serra.