A Marcopolo, fabricante de ônibus com sede em Caxias do Sul, pretende dobrar sua receita nos próximos cinco anos, sobre os resultados projetados para cerca de US$ 3,25 bilhões em 2011.

Para alcançar a meta, a estratégia se baseia em investimentos de R$ 350 milhões para aumentar a capacidade produtiva e o nível de automação das fábricas. Aquisições também estão nos planos.

Conforme declarou à Reuters o diretor de Relações com Investidores da companhia, Carlos Zignani, a Marcopolo já está avaliando potenciais alvos de aquisição.

De acordo com o executivo, as possíveis compras serão pagas com recursos de “excesso de caixa" acumulado pela empresa, e terão como foco fazer da companhia gaúcha a primeira ou segunda colocada em cada mercado em que atua.

A Marcopolo encerrou o segundo trimestre deste ano com R$ 920 milhões em caixa, alta de 25,4% sobre o período de janeiro a março, e dívida líquida de R$ 526,4 milhões.

Segundo salientou Zignani à Reuters, em função do acúmulo de caixa, o Conselho Administrativo da Marcopolo tem cobrado à empresa que aumente a dívida.

O diretor de RI também destacou que a estratégia da Marcopolo inclui a aquisição de companhias que lhe permitam expandir a presença em países com “população elevada e de baixo poder aquisitivo”.

Além das possíveis compras, os recursos de caixa da empresa caxiense também serão destinados ao aumento da robotização das fábricas – quatro no Brasil e sete distribuídas por Colômbia, Argentina, México, Egito, Índia, África do Sul e China -, visando ao incremento da capacidade produtiva.

Só na unidade argentina, por exemplo, a projeção é elevar a produção em 33% ainda este ano, chegando a 2,4 mil ônibus.

Na Índia, onde a empresa tem 49% de uma parceria com o grupo Tata Motors, a previsão é ampliar a fabricação de 12 mil itens em 2010 para 13 mil em 2011.

Dentro de cinco anos, o objetivo é chegar a 25 mil unidades na unidade indiana.

Já no geral, a meta é ampliar a fabricação em 2011 em 9,5%, chegando a 30,2 mil unidades.

Além dos recursos de caixa, a companhia também conta, no Brasil, com financiamento do BNDES para renovação de frota de ônibus.

Conforme Zignani, nos últimos dez anos a fabricante gaúcha já duplicou sua frota de ônibus para a classe C, que é a que mais utiliza este tipo de transporte.

No ano passado, o total de ônibus em atividade no Brasil somava 449,1 mil veículos, com idade média de 14,5 anos.

“As frotas precisam de renovação”, declarou o executivo gaúcho à Reuters. “Projetamos um crescimento da produção brasileira, até 2014-2015, para próximo de entre 45 mil e 50 mil unidades, ante as 34 mil a 35 mil atuais”, ressaltou.

Investimento no cerne

No ano passado, a Marcopolo somou receita líquida de R$ 2,964 bilhões.

Já a produção chegou a 27.580 unidades nas fábricas do Brasil e do exterior, crescimento de 42,3% sobre 2009.

Conforme declarou no começo de 2011 o diretor geral da Marcopolo, José Rubens de la Rosa, os resultados de 2010 foram resultados de investimentos que já vinham sendo feitos nos dois anos anteriores para expansão das operações.

De acordo com o executivo, em 2008 a empresa iniciou um programa de investimentos de R$ 330 milhões, que fio mantido durante a crise econômica mundial do final daquele ano e também depois disso, ao longo de 2009 e 2010.
 
“Tomamos decisões que incluem o contínuo investimento em modernização e aumento de capacidade e de produtividade e a sua não interrupção durante a crise”, afirmou de la Rosa. “Quando a demanda retomou, estávamos prontos", ressaltou.

Resultado disso, em 2010 a Marcopolo ampliou em 38,2% ano/ano a produção para o mercado interno, enquanto no exterior a ampliação foi de 52%, com exportação de 2.426 unidades, 10,7% a mais do que no ano anterior.