Virgilio de Almeida, secretário de Política de Informática (Sepin) do MCT

A Bitkom, entidade do setor de TI alemão, assinou um acordo de cooperação com a Brasscom, organização que reúne 40 das maiores empresas de TI do Brasil e a Softex, órgão de promoção do software brasileiro ligado ao governo federal nesta terça-feira, 06, em Hannover.

O acordo de cooperação, que surge na esteira da escolha do Brasil como país parceiro da Cebit, mega evento de TI que acontece na cidade alemã, não teve seu escopo totalmente divulgado, mas uma prioridade emerge com força do lado germânico: a dupla taxação.

Representantes da Bitkom e do Ministério da Economia e Tecnologia da Alemanha bateram na tecla durante apresentações em um evento que reuniu 200 representantes dos dois países na Cebit, incluindo autoridades do governo e empresários.

Um acordo sobre o tema evitaria, por exemplo, que um funcionário de uma multinacional alemã pagasse imposto de renda no Brasil e na Alemanha, ou que uma empresa fosse tributada por dividendos nos dois países, e vice e versa.

“Vamos levar essa demanda às áreas responsáveis dentro do governo brasileiro”, apontou Virgilio de Almeida, secretário de Política de Informática (Sepin) do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), durante participação no evento.

A resposta não empolgou muito as contrapartes alemãs, que veem o Brasil como sem muita pressa para levar o acordo a cabo.

A Alemanha tem culpa no cartório, já que o acordo anterior expirou em 2005 por iniciativa do país, que pretendia reformular os termos.

A pressa por negociar está do lado alemão do balcão, uma vez que as exportações de serviços ligados a TI e Telecom do país para o Brasil subiram 53% de 2009 para 2011, ano no qual o volume chegou a € 304 milhões.

Do lado brasileiro, as exportações cresceram muito menos, aumentando meros 25%, chegando a € 60 milhões, cifra que representa um quinto do resultado alemão.

Talvez em uma indireta para o poderoso mercado de TI alemão, o maior da Europa e responsável por 5% do total mundial (não muito longe do Brasil, que hoje tem 4% e um ritmo de crescimento maior), Almeida destacou que o país não quer ser visto com outro status.

“Não queremos ser um simples comprador de tecnologia. Temos condições de estabelecer parcerias e fazer o desenvolvimento conjunto com a Alemanha”, frisou o brasileiro.

*Maurício Renner cobre a Cebit 2012 à convite da Softsul