O uso de carvão como gerador de energia no Brasil está com os dias contatos.

Pelo menos é o que pensa o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, que falou sobre o assunto em entrevista para jornalistas nesta segunda-feira, 06.

"O carvão é um grande emissor de gases do efeito estufa e talvez não seja a prioridade do Brasil, devemos apostar no nosso potencial de fontes renováveis", afirmou o responsável pela estatal de responsável por estudos que conduzem o planejamento estratégico da política energética do país.

A Empresa de Pesquisa Energética já baniu a participação de empreendimentos de usinas térmicas a óleo nos leilões oficiais do governo, como uma forma de encerrar o uso desse tipo de energia.

Para Tolmasquim a perspectiva de um grande crescimento da oferta de gás natural com a descoberta do pré-sal deverá fazer o Brasil repensar o uso do carvão como fonte de geração de energia.

Segundo informações da Reuters, atualmente o carvão mineral representa 5,1%  da matriz energética brasileira.

O Plano Decenal de Energia (PDE), que engloba o período 2011-2020, detalhado pelo executivo nessa segunda-feira, prevê uma sobreoferta de gás em 2020 de 24 milhões de metros cúbicos.

A previsão é de que até 2020 a participação do gás na matriz de energia suba dos atuais 10,2% para 14,4%.

Uma eventual saída de cena do carvão da matriz energética brasileira seria má notícia para o Sul do Brasil, onde se encontram a maioria das reservas do combustível no país.

Candiota, no interior do Rio Grande do Sul usa parte das jazidas da região em Candiota 3, uma usina inaugurada no começo do ano a um custo total de R$ 1,3 bilhão.

Criciúma, em Santa Catarina, inaugurou em abril do ano passado o Centro Tecnológico do Carvão Limpo (CTCL), o primeiro passo do que seria um parque tecnológico voltado ao tema na cidade mais identificada com a mineração do carvão no país.

Na primeira fase, os investimentos chegam a R$ 7,4 milhões, vindos da Finep, Fapesc e Eletrobrás. O investimento total previsto chega a R$ 25 milhões, incluindo aí uma incubadora tecnológica, laboratórios e plantas de teste.

Nos anos 80,  a indústria carbonífera empregava 12 mil pessoas na região de Criciúma  contra 3,9 mil hoje.