Tarso Genro na Unisinos

O Rio Grande do Sul pode dar um passo adiante no incentivo à alta tecnologia, com a criação de um cluster que una os esforços dos diversos parques tecnológicos existentes no estado, hoje conduzindo iniciativas isoladas e muitas vezes concorrentes entre si.

A ideia da criação do cluster foi proposta pelo reitor da Unisinos, Marcelo Aquino, durante a primeira visita oficial do governador eleito Tarso Genro a um parque de tecnologia no estado nesta segunda-feira, 08, em São Leopoldo.

“A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação pode coordenar a implantação dessa ideia”, apontou Genro em entrevista coletiva concedida no Tecnosinos após uma rápida visita à incubadora de empresas e à Meta TI, acompanhado do prefeito da cidade, o também petista Ary Vanazzi.

Genro ainda não tem um nome confirmado para a SCT&I – a palavra Inovação na sigla é a única novidade até o momento – mas afirma que será um “gestor”, apto a trabalhar com uma equipe de técnicos. O novo secretariado deve estar completo até o começo de dezembro.

Tradicionalmente dotada de um orçamento magro e poucos funcionários, a SCT não costuma ser uma posição disputada na montagem dos governos ou mesmo reter seus ocupantes por muito tempo: durante o governo Yeda Crusius, foram cinco os ocupantes da pasta, incluindo três titulares e dois interinos.

O meio de tecnologia não costuma ter muito “apito” em quem comanda a secretaria. Em julho, entidades do setor, mais Tecnopuc, Tecnosinos e Trinopolo entregaram um oficio pedindo que Júlio Ferst, secretário interino ligado ao setor, fosse mantido no cargo.

O pedido não foi ouvido e o advogado Eduardo Macluf, eleito vereador em Pelotas em 2008, foi nomeado para a posição no final de agosto.

De qualquer maneira, a articulação do cluster passa mais pela vontade dos principais parques existentes no estado e das universidades sobre os quais eles se apoiam – Unisinos, PUC-RS, Feevale e Ufrgs, com mais destaque – do que qualquer outra coisa.

“Precisamos passar de uma ótima de competição para colaboração e complementariedade”, reconhece Susana Kakuta, gestora executiva do Tecnosinos, repetindo um tema que surge com frequencia em conversas com administradores de parques gaúchos.

De acordo com Suzana, um dos primeiros benefícios da mudança seria unificar a política de formação de mão de obra. Os ganhos específicos gerados pela especialização e construção de uma imagem forte ligada a tecnologia para o estado são outras.

Ao longo dos últimos anos, o parque tecnológico de São Leopoldo deu um salto. Premiado em setembro como o melhor do país pela Anprotec, o Tecnosinos abriga 60 empresas entre estabelecidas e incubadas.

A partir de 2006, o Tecnosinos atraiu uma série de multinacionais, incluindo a a americana Disys, alemã SAP, a indiana HCL e a joint venture coreano brasileira HT Micron.  As três últimas foram disputadas com o Tecnopuc, um dos primeiros e ainda o maior parque tecnológico do estado.

Até que ponto o pedido do reitor da Unisinos ao governador eleito sinaliza uma mudança na direção do desenvolvimento tecnológico do estado, só o tempo dirá.