O alento de que vão-se as fábricas e ficam as pesquisas, usado para consolar o setor calçadista diante da recente debandada de marcas do Rio Grande do Sul, começa a desandar.

A Alpargatas anunciou no final de semana que não desenvolverá mais os seus produtos em solo gaúcho, transferindo o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa de São Leopoldo, no Vale do Sinos, para a Paraíba.

É o primeiro tropeço de um argumento também usado por empresas como Paquetá e Azaleia.

Ambas retiraram a produção de calçados do Rio Grande do Sul, mas mantiveram o P&D no Estado, sob a justificativa de que a qualidade da mão de obra oferecida nos vales do Sinos e do Paranhana.

Já para a Alpargatas, que mantinha apenas o centro de desenvolvimento no Sul, a otimização da gestão veio antes de uma possível qualificação melhor da região.

“A transferência faz parte de seu planejamento estratégico, que tem entre seus desafios otimizar a gestão da inovação e simplificar o modelo operacional já existente”, disse a empresa, em nota.

Dos 60 funcionários da Alpargatas, metade está sendo realocada dentro da própria companhia. Aos outros, a empresa promete “toda a ajuda possível para recolocação no mercado de trabalho”.

Debandada
O setor calçadista do Rio Grande do Sul tem visto a evasão de grandes empresas.

Em maio, 800 trabalhadores da Azaleia, em Parobé, foram demitidos. A empresa passou a produzir apenas no Nordeste e no Exterior.

Três meses depois, foi a vez da Paquetá, de Sapiranga, encerrar a produção no Rio Grande do Sul. A empresa agora produz calçados para o mercado nacional no Nordeste, e os produtos destinados à exportação estão sendo produzidos na República Dominicana.

No ano passado, relembra matéria da Folha de S. Paulo dessa terça-feira, 11, o grupo Schmidt Irmãos, que tinha uma série de fábricas no interior gaúcho, transferiu a produção para a Nicarágua.

O governo nicaraguense divulgou que o investimento da empresa brasileira será de US$ 25 milhões.

Segundo a Folha, a unidade em uma zona franca da Nicarágua precisa receber até máquinas e insumos vindos do Brasil, devido à escassa estrutura industrial do país.

De acordo com a Abicalçados (associação da indústria do setor), outras dez empresas podem tomar o mesmo rumo.

Leia a matéria completa da Folha de S. Paulo (para assinantes) nos links relacionados abaixo.