O problema da falta de mão de obra no setor de TI é causado por baixos salários.

É o que opina o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de TI (Sindpd), Antonio Neto, citando dados da pesquisa salarial recentemente divulgada pela Brasscom, que apontou uma média salarial de R$ 2,8 mil no setor de TI.
 
“Como convencer um jovem de 17 anos a passar cinco ou seis anos estudando, complementar com mais um ano ou dois para se especializar e certificar numa ferramenta utilizada no mercado, para no final deste processo receber quase metade do que um Engenheiro, um advogado ou um médico ganham”, avalia Neto.
 
O presidente do sindicato de TI de São Paulo aponta que dados da FGV indicam uma média salarial de R$ 6,7 mil para médicos e entre de R$ 5 mil e R$ 6 mil para as engenharias, dependendo da especialização.
 
Segundo a Brasscom, apesar das oportunidades de emprego no setor, a evasão nos cursos superiores de TI chegou a 87% no país em 2010. 
 
Neto destaca os incentivos concedidos pelo Plano Brasil Maior, que transferiu a contribuição de 20% do INSS para 2,5% do faturamento.
 
Para o sindicalista, com o custo de mão de obra respondendo por entre 30 a 70% do produto final, o incentivo representa uma  economia de 3,5 a 11,5% para as empresas e o final da “desculpa do Custo Brasil”.
 
Na visão do representante do Sindpd, a forma de atrair pessoas para os cursos de TI é aumentando os salários e os benefícios. 
 
“As empresas do setor estão com o crescimento de dois dígitos e têm incentivos tributários do governo. Se quiserem que mais pessoas se interessem pela TI precisam pagar melhor seus funcionários, precisam valorizar o profissional e parar de reclamar de dificuldades que não existem”, afirma Neto.