Foto: mattwright / Flickr

Entidades nacionais de TI aproveitaram uma na reunião conjunta das comissões de Infraestrutura e de Ciência e Tecnologia do Senado em Brasília para criticar o Portal do Software Público nesta quarta-feira, 11.

Segundo relata o Convergência Digital, as entidades criticaram o que consideram uma intromissão ilegítima do governo no mercado através do portal através do qual 56 empresas e organismos do governo disponibilizam soluções open source para a administração pública.

“Se queremos uma indústria de software poderosa não será com software livre. E temos concorrência com o próprio Estado. Enquanto o modelo for contratar serviços não vamos fortalecer o software nacional”, reclamou o vice presidente da Assespro, Jeovani Salomão.

Na mesma linha emendou o presidente da Fenainfo, Márcio Girão, que também se queixou do “agigantamento do Portal do Software Público”, e o presidente da ABES, Gerson Schmitt, para quem “o governo deve ser menos empresário e mais comprador, e não o maior produtor e empregador” no setor de software.

O diretor do departamento de integração de sistemas da SLTI, Corinto Meffe, responsável pelo Portal do Software Público, se disse “surpreso” com os “mitos que ainda são colocados”.

“O software público virou consenso no governo pelos resultados. Além do que, de 56 soluções disponíveis hoje no Portal, nenhum ofertante pediu para sair”, defendeu Meffe.

Governo é metade do mercado open source
A participação de soluções open source no mercado brasileiro em 2010 foi de 2,95%. Dos US$ 563 milhões movimentados pelo software livre, 66% correspondem a gastos do governo.
 
Os números fazem parte da 7ª edição do estudo “Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências”, realizado pela IDC e divulgado pela Abes em junho. É a primeira vez que o levantamento inclui cifras ligadas ao tema.
 
“A iniciativa privada não investe em software livre no Brasil. O empresariado não investe em algo que não seja produtivo”, disparou na época o presidente da entidade, Gerson Schmitt.
 
A Abes reúne empresas baseadas no modelo de software proprietário e tem entre suas metas a redução da pirataria no Brasil. O relatório não está disponível na íntegra no site da entidade.
 
De acordo com Schmitt, “o modelo de software livre não produz inovação, demanda mais mão-de-obra, remunera menos toda a cadeia produtiva, não é autossustentável e seria praticamente inexistente  sem o governo como seu protagonista”.