Abílio Diniz

A fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour, estimada em R$ 17,14 bilhões, deve ficar só na promessa. Abilio Diniz, CEO do Pão de Açúcar, recebeu duas negativas ao negócio nessa semana.

O primeiro “não” partiu do conselho do Grupo Casino, um dos controladores do Pão de Açúcar, que veio à público oficialmente para se opôr à proposta de fusão, após reunião dos sócios administradores.

No meio de uma resistência unânime, Diniz foi o único a favor da união, segundo o site da revista Exame.

Sem o aval dos acionistas, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), também encolheu a mão, e tirou da mesa os R$ 4,5 bilhões oferecidos para apoiar a fusão.

A própria presidente Dilma Rousseff teria dito que não valeria o desgaste do empréstimo “se nem os sócios do Pão de Açúcar concordavam com a proposta”.

Prejuízo para os brasileiros
Justificando sua decisão, o conselho disse que a proposta terá efeitos negativos para a empresa brasileira e seus acionistas, “destruindo o valor para os sócios brasileiros”.

Estudos apresentados na reunião, diz o comunicado do Casino, concluíram que o projeto “repousa sobre uma visão estratégica errada”, por aumentar a participação dos hipermercados nas vendas, um modelo em declínio atualmente.

Segundo a Exame, os conselheiros também dizem que as sinergias resultantes da fusão estão superestimadas, e mesmo a proposta de os acionistas e novos investidores deterem 11,7% no Carrefour da França, em contrapartida à fusão, “é arriscada e tem prospectos de crescimento fracos”.

O conselho ainda diz que considera a proposta “não solicitada, hostil e ilegal”.

Se entendam internamente primeiro
Para o governo federal, o peso do fracasso recai sobre Diniz, que na opinião do Planalto “não foi hábil nas negociações com Jean-Charles Naouri”, do grupo francês Casino, conforme a Exame.

Desde a divulgação da proposta houve forte protesto contra o uso de dinheiro do contribuinte, por meio do BNDES, no negócio.

Além disso, a oposição tem cobrado explicações do presidente do banco, Luciano Coutinho, e do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.

Também conforme a Exame, o Ministério Público abriu investigação para apurar se existe interesse público no uso de recursos federais para a fusão.

Ainda dá
Apesar das negativas, Diniz não perde a esperança.

O empresário declarou nessa terça-feira, 12, ao site do jornal Valor Econômico que “espera um acordo amigável” com o sócio francês Casino.

“Às vezes a gente não vê, mas continua tentando (que existam brechas)”, disse Diniz ao jornal após a reunião do conselho de administração do Casino, em Paris, que durou pouco mais de duas horas.

De acordo com o jornal, relatórios dos bancos Santander, Goldman Sachs, Messier-Maris, Rothschild e Merril Lynch foram apresentados, contestando a fusão. Outro estudo, da consultoria Roland Berger sobre os aspectos econômicos do projeto, deu o basta na discussão para a maioria do conselho.

Mas não para Diniz:

“Acho que os estudos não representam a verdade, mas não quero fazer críticas. Há onze anos trabalho junto com o Casino e espero realmente uma negociação amigável e que se chegue a um bom acordo para todos”, finalizou.

Leia as matérias da Exame e do Valor nos links relacionados abaixo.