O SAP Labs Latin America, centro de desenvolvimento e suporte da multinacional alemã instalado em São Leopoldo, não será afetado pelos problemas de abastecimento de água que devem deixar 70% da cidade a seco até a sexta-feira, 15.

Isso porque o prédio, inaugurado em julho de 2009, foi construído dentro das regras do LEED, selo de construções ecologicamente corretas americano.

“A operação do centro é crítica e não pode parar. Garantir o suprimento de água e energia faz parte disso”, explica Fabiano André Hennemann, coordenador de Facilities do SAP Labs brasileiro.

A continuidade do abastecimento no prédio se deve ao fato que todo o esgoto é tratado no local e reutilizado na irrigação e nas descargas dos banheiros. Um tanque armazena até 42 mil litros da chamada água de reúso.

Outro tanque armazena 86 mil litros de água potável.

“Podemos operar sem água de fora até a segunda, se for o caso”, garante Hennemann.

O consumo mensal da operação fica na média de 275 mil litros.

Além de terem água nos banheiros e para fazer o cafezinho, os mais de 400 colaboradores poderão lavar a louça – o centro não usa copos plásticos – e até tomar banho no local, uma vez que chuveiros estão disponíveis para quem escolher ir trabalhar de bicicleta ou se exercitar no horário de almoço.

A independência se estende também ao consumo de energia, já que o centro possui geradores a diesel com autonomia de 8h.

Um sistema interno garante o mínimo consumo de eletricidade através do máximo aproveitamento na luminosidade externa.

O prédio verde da SAP custou aproximadamente R$ 35 milhões, 15% mais do que custaria uma obra que não se enquadrasse nas regras do LEED.

O custo adicional foi gerado na escolha dos materiais – madeira e produtos químicos estavam vedados - e deve se pagar até o final deste ano, com economia de energia e água.

Só na conta de luz, o corte chega a 70%.

Fora do SAP Labs, os problemas de abastecimento de água estão causando muito transtorno em São Leopoldo.

Depois do rompimento de uma peça da peça da tubulação de ferro responsável por captar a água no Rio dos Sinos, instalada em uma caixa de concreto a sete metros de profundidade, técnicos trabalham para colocar água de volta nas torneiras de 170 mil moradores.

As reservas de água esgotaram ao longo da terça, 12, e desde então o abastecimento de locais críticos como o hospital é feito com caminhões-pipa vindos da vizinha Novo Hamburgo.

O problema da falta de água fez com que as férias de inverno de cerca de 18 mil alunos da rede estadual e 20 mil estudantes de 35 escolas de ensino fundamental da rede municipal fossem antecipadas em três dias.

A Unisinos, universidade no qual o SAP Labs está instalado junto com outras empresas de TI como Meta, SKA, Stefanini e HCL, não está sendo tão prejudicada.

Apesar de estarem conectada nos 30% não afetados, os prédios da área estão recebendo uma quantidade menor do que a normal. A equipe de infraestrutura da universidade está fechando registros para evitar falta de água após o esvaziamento dos reservatórios.