Um estudo da Bridge Research, empresa de pesquisa e serviços de inteligência na área de tecnologia, acaba de revelar o perfil de consumo da chamada Geração Y nas cidades de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, incluindo as respectivas regiões metropolitanas.

Conforme o levantamento, esta geração mudou “globalmente a forma de fazer negócios e de se comunicar”.

De uma amostra de 672 pessoas, sendo 48% homens e 52% mulheres das classes A, B e C com idades entre 18 e 30 anos, o estudo concluiu que, no que diz respeito a consumo, a máxima desta população é que consumir é melhor do que ostentar marcas.

“Por estarem fortemente ligados ao consumo, os Y´s acabam por se relacionar de um modo menos ostensivo com as marcas em geral. Não fogem necessariamente de modismos, mas as marcas assumem uma função de qualificadoras do produto e não de quem os usa”, afirma Renato Trindade, presidente da Bridge Research.

Eletroeletrônicos
Nesta categoria de produtos, por exemplo, Trindade explica que o que importa para a geração pesquisada é ter uma boa experiência anterior de uso. Além disso, os celulares têm de ter alta tecnologia e ser bonitos, enquanto os televisores têm de ser de uma marca já conhecida.

Entre as marcas de celular preferidas estão iPhone (classe A), Motorola, Nokia e Sony Ericsson.

Já em televisores, Sony, Samsung, Philips e Gradiente compõem, nessa ordem, a lista de preferências.

Carros
Nos carros, é mais importante uma boa relação entre custo e benefício - a marca, nesse caso, é mais importante e remete à qualidade.

Lazer
Para os Ys, tempo livre é sinônimo de movimento e rapidez. Entre as atividades preferidas, em primeiro lugar está navegar na Internet e acessar redes sociais em busca de informações.

Esportes e academia aparecem em segundo lugar, seguidos de assistir televisão e ir ao cinema.

Teatros e museus não são habituais, embora não sejam rejeitados pelos jovens entrevistados.

O tempo livre também é associado à diversão e espiritualidade: enquanto nas classes A e B a preferência são baladas, casas noturnas, restaurantes e bares, na C é revelada grande preocupação com, por exemplo, a freqüência de visitação a igrejas.

Lista de compras por classe
Na lista de consumo da Classe A, baladas, roupas e acessórios, higiene pessoal e novidades são os itens mais comprados, nesta ordem.

Já na B, idas à praia ou interior; lazer em geral; carro, moto e acessórios; cosméticos e beleza.
Os jovens da classe C, por sua vez, gastam com higiene pessoal; contribuição no orçamento familiar; estudo; diversão; transporte; roupas e acessórios. O menor gasto é com viagens.

Perspectivas
A pesquisa também questionou os jovens sobre 2010 - será melhor, pior ou igual a 2009?

Entre os entrevistados, os mais otimistas são os Ys da classe C, com 59% de respostas esperando melhoras.

A média total foi de 46% de otimistas, 32% de pessoas que acham que vai ficar igual e 19% de pessimistas.

Características
Para Trindade, características como valorização do jovem e da juventude, além de forte influência da cultura do hedonismo, são características fundamentais da Geração Y.

“Eles são autores da maioria dos blogs e gestores de comunidades nas redes sociais”, afirma o executivo.

As diferenças
Porém, há diferenças entre os grupos, determinadas especialmente pelo poder aquisitivo e o nível social.
 
Essa diferenciação pode ser verificada nos resultados da pesquisa, na análise dos locais de compra, frequência das viagens e de consumo, posse de itens de conforto e velocidade de acesso a novidades.

A idade também é um divisor de águas: os nascidos entre 1978 e 1980 apresentam mais responsabilidade, maior estrutura de gastos, dão maior valor à visão da família e aos estudos.

Já os que nasceram entre 1990 e 1995 estão mais atrelados aos valores da Geração Y propriamente ditos, como o culto à tecnologia e à inovação, à velocidade, liberdade, individualidade e consumo; e têm menor estrutura de gastos.

Nível escolar
A análise do nível escolar aponta que 84% dos entrevistados possuem alta escolaridade e 16% têm primário e ginásio (completo ou incompleto).

Cerca de 48% só trabalham e 7% trabalham e estudam.

Há, ainda, um contingente de 7% que declarou não trabalhar nem estudar.

Renda
Com relação à renda pessoal, 36% ganham de R$ 862 a R$ 1.317, enquanto 3% têm renda entre R$ 3.944 e R$ 7.556 – nessa categoria, 3% residem em São Paulo.

No estudo predominam os jovens com idade entre 18 anos e 22 anos (42%) e entre 23 anos e 26 anos (25%); 23% têm idade entre 27 anos e 31 anos; 76% dos entrevistados são solteiros contra 21% de casados ou que moram com parceiros.

Mais
Para Trindade, os jovens da Geração Y são impulsivos e têm baixa reflexão.

Além disso, ele acrescenta que se trata de um grupo repleto de oposições, já que valoriza a liberdade, mas busca e testa limites, é liberal para o consumo e novidades, mas conservador socialmente; pensa em trabalho como meio de ganhar dinheiro, mas desconhece planos de carreira, além de avaliar trabalho como remuneração, mas buscar o reconhecimento rápido e pensar somente no aqui e agora, mas querer oportunidades futuras.

“Eles também amam a Internet e a tecnologia, mas não gostam da impessoalidade do atendimento eletrônico ou via e-mail”, avalia o executivo.

Geração Y & Crise
A Geração Y acompanhou a crise pela internet, mas teve pouca experiência prática, ou seja, não reduziu os gastos, segundo a pesquisa.

Os entrevistados da classe C afirmaram que sempre precisam economizar, enquanto as classes A e B não são chefes de família e sentem que a “tal crise” não exige controle dos gastos.

O estudo mostrou, ainda, que 74% dos entrevistados afirmaram que nada ou pouco conhecimento têm da crise. Apenas 7% disseram estar totalmente por dentro do assunto.