Agas e Walmart tiveram nos últimos dias um novo round na sua disputa particular.

Em nota divulgada neste domingo, 12, a associação de supermercadistas gaúchos acusou “uma empresa que chegou há poucos anos no Brasil”  de praticar dumping no preço do leite.

A Agas afirma que a companhia – obviamente, o Walmart - fez uma promoção com o litro de leite a R$ 1,34, quando o custo do litro ao fornecedor R$ 1,52.

Na sua própria nota, o Walmart conta uma história um pouco diferentes.

Segundo a multinacional, a oferta realizada em Bento Gonçalves foi uma resposta a uma promoção realizada ao Imec, que colocou o produto à venda por R$ 1,39.

A própria rede Apolo, de propriedade do presidente da Agas, Antonio Longo, teria também colocado o produto a R$ 1,39.

De acordo com o Walmart, os valores não constituem dumping, mas “ trata-se de uma ação promocional pontual, em resposta à concorrência”. O leite é um produto que atrai consumidores ao supermercado e tais ação são habituais em todo o mercado, afirma a rede.

O Walmart nega ainda as acusações da nota da Agas dando conta que teria cancelado os pedidos de um fornecedor de leite que se recusou a entregar “pedido extraordinário, jamais registrado”, prevendo um possível desgaste com outros compradores.

“O gigantismo propagado pelas empresas multinacionais revela a possibilidade destas tornarem-se ditadoras de preços e de procedimentos mercadológicos”, diz na nota Antônio Longo, presidente da Agas.

O Walmart, por sua parte, frisa os números da sua operação gaúcha, que nos últimos cinco anos gerou investimentos diretos de  R$ 360 milhões no estado e gerou mais de 2,7 mil empregos diretos – além de outras 900 vagas temporárias para o Litoral Norte gaúcho só nestes últimos meses.

Histórico

É a segunda vez que a associação entra em atrito com a supermercadista. Em novembro de 2009 a entidade ameaçou organizar uma manifestação, com fechamento de lojas, para que o Walmart renunciasse à recuperação de créditos de ICMS sobre produtos submetidos ao regime de substituição tributária.

Para a Agas, a situação havia criado um quadro de concorrência desigual e, como resultado, a rede abiu mão do direito que havia obtido na Justiça.