Fabio Pitorri tem todas as certificações do PMI

Bater só com o diploma em TI na porta da frente de uma empresa até pode abri-la, mas não leva muito longe. Entrar e ficar nas salas de gerência, por exemplo, exigirá especialização na condução de projetos. E a chave dessas portas pode estar nas certificações.

“Elas são como um atestado de conhecimentos e habilidades, que garantem aos profissionais um certo nível e, teoricamente, devem refletir no salário”, diz o consultor Fabio Pitorri.

O chaveiro, no entanto, é grande.

Hoje, o profissional de TI mais certificado do mundo, o brasileiro Dalton Gerth, soma 98 certificações, a maioria técnica. No caso das certificações de gerência de projetos, o fardo é mais leve: são cinco.

Com pelo menos duas certificações vinculadas à TI na carteira, Pitorri esclarece que mesmo nessa área, em que o esforço técnico é bastante valorizado, as certificações PMI podem ser úteis:

“Afinal, TI vive muito de projeto”, arrazoa.

A questão “certificar ou não”, no entanto, defende Pitorri – palestrante do VIII Seminário de Gerenciamento de Projetos, que se realiza até esta sexta-feira, 16, na PUCRS, em Porto Alegre – vai além da quantidade, e chega à qualidade... até de vida.

33 quilos em uma certificação
Em 2004, por exemplo, Pitorri era um desempregado diplomado em mecatrônica que tinha perdido a empresa, vivia de bicos e pesava 110 quilos – “mais do que devia”, reconhece.

Hoje, ele é um consultor de empresas, especialista em gerência de projetos, integrante de um seleto grupo de oito profissionais no LinkedIn – o único latino-americano lá –, com um salário nove vezes maior que o obtido no seu primeiro emprego, cujo valor não revelou, além de estar na casa dos 70kg-80kg ao subir na balança.

Qual a diferença entre esses sete anos?

Uma lista de 10 certificações, incluindo todas as do Projetct Management Institute (PMI), obtidas ao longo de quatro anos e ao custo de US$ 8 mil – gastos apenas nas de gerência de projetos.

O upgrade na carreira seguiu a via do esforço, mas principalmente a do gosto pela gerência. “Quando segui o caminho mais natural, até perder peso foi mais tranquilo”, brinca Pitorri.

Hoje, ele tem as certificações PMP, PgMP, CAPM, PMI-SP e PMI-RMP – pelo PMI –, além dos certificados em ITIL, COBIT, Six Sigma Black Belt, PRINCE2 Practitioner e MCTS Microsoft.

Primeiros passos
Os primeiros movimentos, no entanto, não foram com as certificações.

Inicialmente, Pitorri se valeu do Project Manager Competency Development (PMCD Framework), uma espécie de guia de referência para o desenvolvimento profissional de gerentes e carreiras.

“Lá eu vi em que caminho se encaixavam as minhas habilidades”, diz Pitorri.

A primeira certificação, em PMP, veio em agosto de 2005, mesmo ano em que iniciou o curso de administração. Um ano depois, veio o primeiro emprego. Em 2007, enquanto se preparava para outras certificações, foi contratado como analista, com salário 50% maior do que o anterior.

Nos anos seguintes, completou-se o portfólio de certificações, até o chegar ao estágio atual, com salário noves vezes superior ao inicial.

“Se não fosse a certificação, e não seria visto no mercado”, diz Pitorri.

Talvez por isso, a recomendação do consultor seja a de não investir em especializações, mas direto nas certificações, um jeito mais barato de se diferenciar e aprender mais.

“Há especializações que vão custar R$ 25 mil. Uma certificação sai por R$ 1 mil, e tem também tem peso no currículo”, defende.

Noivo certificado
Casado desde o ano passado com a gerente de RH Elaine de Jesus, ainda sem certificações, Pitorri fez valer seus dons administrativos até no casamento.

“Ele organizou e fez tudo em dois meses. Meu único trabalho foi o de escolher o vestido”, relembra.

“Foi um ganho muito importante. Abriu muitas portas, e deve continuar abrindo. E, acima de tudo, elas representam conhecimento, o que nunca é demais, quando gostamos da área”, finaliza Pitorri.