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A governadora Yeda Crusius vai nomear Delmar Henrique Backes, diretor-geral da Faculdade Integrada de Taquara e vice-presidente do Fórum dos Coredes do Estado como secretário da Ciência e Tecnologia, segundo informações que circularam nesta sexta-feira, 16, e foram confirmadas pela SCT.

Com a medida, o governo do estado contraria frontalmente quase todas as entidades ligadas ao setor de TI e alguns dos mais parques tecnológicos do Rio Grande do Sul, que ainda em junho protocolaram na Casa Civil do Piratini um documento pedindo a permanência do interino Júlio César Ferst na secretaria até o final do mandato de Yeda, em dezembro.

 
Assinaram o documento representantes da divisão de tecnologia da Federasul, Assespro-RS, Seprorgs, Softsul, InternetSul, Sucesu-RS, Aepolo, Polo de Tecnologia de São Leopoldo, Tecnopuc e TrinoPolo. A novidade não sentou bem.
 
“Faltou sensibilidade da governadora. Ou ela não prestigia o setor de TI ou o setor de TI não tem prestígio nenhum”, fuzila o diretor da divisão de TI da Federasul, Jaime Wagner. “Ia votar nela. Não farei e convencerei outros de que não o façam”, dispara Wagner.
 
Na Assespro-RS, entidade da qual Ferst foi por muitos anos diretor surperintendente, a medida foi igualmente mal recebida. “É por coisas assim que nosso setor de ciência e tecnologia está muito aquém de outros estados”, critica o presidente da entidade, Márcio Miorelli.
 
Para o empresário gaúcho, a SCT precisa ter uma concepção diferente por parte da gestão pública, que deveria colocar à frente da pasta pessoas “comprometidas e conhecedoras do setor”. Para Miorelli, a secretaria precisa deixar de ser “patinho feio” e de ter a sua frente pessoas que vão “deixar precioso tempo passar”.
 
O próprio Júlio Ferst – que deve voltar a posição de secretário adjunto de Ciência e Tecnologia, que ocupava durante a gestão de Arthur Lorenz – preferiu não criticar a medida.
 
“Sempre foi transparente que eu era um secretário em exercício”, resume Ferst. “Como adjunto, vou seguir tocando as iniciativas que conduzia como secretário”, adiciona.
 
Durante a gestão de Ferst, foram liberados os R$ 10 milhões do PgTec, programa de apoio a parques tecnológicos do governo estadual.
 
Primeiro programa a conceder incentivo direto a parques gaúchos, o programa deve ter um segundo edital para entregar os R$ 3,6 milhões que não foram obtidos por problemas em propostas de candidatos.
 
No momento, Ferst trabalha na articulação de um programa de capacitação com bolsas públicas – nos moldes do formato existente em Porto Alegre e Guaíba, modelo do qual foi um dos principais articuladores - e na liberação de uma verba de R$ 25 milhões para parques tecnológicos atualmente retida no Ministério de Ciência e Tecnologia, em Brasília.