O número de empresas com alcance global em busca de aquisições e fusões reduziu, no atual semestre, em relação aos primeiros seis meses deste ano. É o que aponta um estudo promovido pela Ernst & Young com mais de 1 mil executivos ao redor do mundo.

Segundo a pesquisa Capital Confidence Barometer, que tem duas edições a cada ano, 29% dos entrevistados apontaram que suas empresas têm interesse em fusões e aquisições. Porém, no levantamento feito em abril, o número era de 38%.

A queda acontece apesar de apenas 16% dos entrevistados apontarem que as empresas onde atuam enfrentam dificuldades em buscar fusões e aquisições, enquanto um ano atrás este índice ficava em 40%.

Conduzida em setembro, a pesquisa também identificou maior otimismo entre executivos quando questionados sobre suas próprias organizações e as perspectivas econômicas dos países onde atuam.

No entanto, o estudo apontou pessimismo para o quadro global, com citação de temas como aumentos de impostos, disputas cambiais, medidas de austeridade e questões regulatórias.

Segundo os executivos ouvidos pela consultoria, esses aspectos minam a confiança na economia global e reduzem o interesse por fusões e aquisições.

Quando a comparação é feita em relação a estudo do ano passado, o grau de disposição é maior.
Metade dos entrevistados se disseram aptos a participar de uma aquisição a curto prazo, número 36% maior do que em 2009.

Emergentes por cima
O potencial de mercados emergentes também é ressaltado pela pesquisa, já que a maioria dos executivos que afirmam possibilidade de participar de aquisições citam estes países -  um terço (31%) dos entrevistados afirmou existir a possibilidade de se comprometerem ou estudarem aquisições em tais regiões nos próximos seis meses.

Destes executivos, mais da metade planeja investir por meio de joint-ventures ou alianças estratégicas.

Brasil no topo
Para Carlos Asciutti, sócio da área de transações da Ernst & Young Terco, o Brasil é destaque no destino de investimentos internacionais para fusões e aquisições, colocando-se no topo do ranking entre os BRICs.

“Nos mercados emergentes, a possibilidade de crescimento é maior em comparação com as economias desenvolvidas. Os riscos são considerados maiores”, afirma Asciutti.

Perspectivas e condições de crédito
Segundo o estudo, na comparação com abril, 67% dos executivos consultados demonstram confiança nas perspectivas econômicas de seus países.

Os níveis de confianças na Índia (92%) e China (82%) permanecem altos quando comparados com seis meses atrás.

A Austrália, que ocupava a liderança entre os países mais otimistas, deixou a lista dos cinco primeiros. Rússia (com crescimento do índice de confiança de 47% para 89%) e Alemanha (de 64% para 84%) passaram a ocupar as cinco primeiras posições.

A França, por outro lado, teve uma queda no índice de confiança, passando de 66% para 44% e o Brasil passou de 83% para 69%.

Em contraste, a visão sobre a economia global está menos otimista, com 34% dos executivos afirmando que a recuperação irá acontecer nos próximos 12 meses, quando esse indicador era de 40% em abril.

Além disso, mais da metade (58%) dos executivos disseram que as condições de crédito são melhores hoje do que em abril. Por outro lado, o quadro global é desigual.

Entre os BRICs, a maioria dos executivos disse que a situação melhorou, mas nos EUA e Reino Unido, apenas 47% e 33%, respectivamente, observaram evolução.

A Ernst & Young e Ernst & Young Terco
A Ernst & Young é especializada em serviços de auditoria, impostos, transações corporativas e consultoria. Em todo o mundo, a empresa tem 144 mil colaboradores.

No Brasil, a companhia emprega 3,5 mil profissionais, que atendem a mais de 3,4 mil clientes. Destes, 111 são companhias listadas na CVM (dado referente a junho de 2010).