Reges Bronzatti

Reges Bronzatti , presidente da Assespro-RS e do CETI-RS - Conselho das Entidades de Tecnologia da Informação do RS, publicou no Baguete Diário um artigo recheado de críticas a desoneração da folha de pagamentos de TI sancionada pela presidente Dilma Rousseff nesta quinta-feira, 15.

 Sem mencionar o Plano Brasil Maior, pelo qual as empresas de TI trocam os 20% de contribuição previdenciária sobre a folha de pagamentos por uma alíquota de 2,5% aplicada sobre o faturamento bruto, Bronzatti critica a “nova política” por “não incentivar o software nacional”.

“[A medida] exportará empregos e não serviços ou produtos brasileiros, atraindo grandes conglomerados na busca de mão de obra qualificada e, verdadeiramente, transformando o Brasil em plataforma de empregos baratos para grandes empresas internacionais”, escreve o empresário gaúcho.

Apesar da desoneração prevista no Plano Brasil Maior valer para todas as empresas instaladas no país, uma alteração de última hora zerou a alíquota aplicada sobre as exportações de software.

Em um mercado no qual a maioria das empresas nacionais exporta pouco, a medida é vista por críticos como uma vantagem competitiva para poucas grandes brasileiras e multinacionais com centros de desenvolvimento no país.

Para Bronzatti, “qualquer coincidência com a formação da tal indústria automobilística brasileira não será mera coincidência”.

De acordo com o empresário gaúcho “atrair centros de desenvolvimento de software, de empresas multinacionais, não é investir em pesquisa e muito menos em inovação que poderiam promover o desenvolvimento nacional”.

O Rio Grande do Sul é um destino tradicional de centros como os mencionados por Bronzatti, em um processo iniciado pela vinda da HP e Dell para o Tecnopuc em Porto Alegre no começo dos anos 2000 e intensificado nos últimos anos com a vida da HTC, SAP e outras empresas de menor porte para o Tecnosinos, em Porto Alegre.

Em privado, empresários gaúchos mostram resentimento com o que consideram um tratamento preferencial dado pelos governos a essas empresas, em detrimento de companhias locais.

“O brasileiro pode muito mais do que uma estratégia de submissão tecnológica que nos escraviza! Política pública não é pirotecnia: se faz com educação, planejamento, muita colaboração e trabalho”, fulmina Bronzatti no artigo, que pode ser lido na íntegra pelo link relacionado abaixo.

Plano Brasil Maior criou racha no setor
As críticas de Bronzatti expõem novamente um racha entre as entidades de TI gaúchas e suas organizações em nível nacional.

O principal defensor do plano nos moldes no qual ele foi aprovado foi a Brasscom, que reúne em seus associados as maiores empresas de TI do Brasil e multinacionais.

No entanto, a entidade foi apoiada pela frente Nacional das Entidades de Tecnologia da Informação (FNTI), que reúne também Assespro Nacional, ABES, Brasscom, Fenainfo, Softex e Sucesu.  

O CETI é uma efrente de entidades gaúchas que inclui ASL.org, Abradi-RS, Federasul, Internetsul, Polosul, além de Assespro-RS, Softsul e Sucesu-RS, cujas mesas nacionais estão na FNTI.

No Rio Grande do Sul, o principal crítico do Plano Brasil Maior foi o Seprorgs, que nos últimos momentos antes da aprovação da medida na Câmara recebeu o apoio do CETI.

O modelo de desoneração defendido pelas entidades gaúchas é outro.

Em maio, Edgar Serrano, presidente do Seprorgs, e Reges Bronzatti estiveram em Brasília no Ministério de Ciência e Tecnologia, defendendo uma redução de 70% da contribuição social das empresas do ramo, além de criar a possibilidade de abatimento de 100% dos investimentos em P&D e reduzir a zero as alíquotas de importação de bens usados nas atividades das empresas.
 
O projeto também visava a regularizar a subcontratação de empresas na área de TI e criar incentivos para a formação de mão de obra especializada no setor.
 
Na época da reunião, a movimentação da Assespro-RS gerou uma reação da Assespro Nacional, que, embora brigue com os fatos, é uma tentativa clara de enquadrar a regional rebelde.
 
A entidade divulgou uma nota dizendo que  era “inverídico que Assespro-RS estaria defendendo outra proposta”, uma vez que a “Assespro-RS é uma regional da Assespro Nacional, portanto signatária da proposta da FNTI”.
 
O problema para a causa das entidades gaúchas é que ela falhou em encontrar apoios fora do estado, em outras regionais das entidades da FNTI ou nas versões locais de sindicatos patronais como o Seprorgs, muito embora essas entidades tenham uma composição de associados similar aos das entidades gaúchas, o que em tese deveria gerar interesse pelo argumento do favorecimento às multis.