O Aeroporto Internacional Salgado Filho, de Porto Alegre, é um dos poucos que está funcionando em condições adequadas, ou seja, fora do cenário de estrangulamento apontado por um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).


O estudo divulgado na segunda-feira, 19, pelo Instituto, salienta que 17 dos 20 principais aeroportos brasileiros, ou 85%, estão em situação crítica.


Desses, 12 estão funcionando acima da capacidade operacional, com exceção dos aeroportos de Porto Alegre, Salvador e Manaus, que operam em condições adequadas.


A avaliação, feita antes da concessão à iniciativa privada dos aeroportos de Brasília, Guarulhos e Campinas, é que permanece limitada a capacidade da Infraero em executar seu programa de investimentos.


Conforme publicação do Jornal do Comércio, em 2011, a estatal executou 34% de seu fundo anual inscrito no orçamento das empresas estatais.


Uma dotação de R$ 2, 216 bilhões e execução de R$ 747,82 milhões, segundo consta no artigo Aeroportos no Brasil: Investimentos e Concessões, de autoria do coordenador de Infraestrutura Econômica do Ipea, Carlos Campos.


O estudo afirma que as etapas do Plano de Investimentos da Infraero pouco evoluíram nos últimos 12 meses, entre fevereiro de 2011 e janeiro de 2012. Assim, dos 11 aeroportos nos quais estão previstos investimentos nos terminais de passageiros, oito estão nas fases iniciais de projetos.


“É fator de preocupação a exiguidade dos prazos definidos pelo edital para as várias etapas do processo de concessão, diante da necessidade de que os três aeroportos estejam prontos a tempo de atender ao evento de 2014”, ressalva o Ipea.
 

Segundo o Instituto, não apenas os aeroportos preocupam. O Brasil investe apenas 0,7% do PIB, incluindo o PAC, em transporte. O percentual é inferior ao que fazem outros países emergentes, como a China, Índia, Rússia, investindo cerca de 2,7% do PIB.


As estimativas apontam que o país necessita investir R$ 185 bilhões em rodovias, R$ 75 bilhões em ferrovias e mais R$ 45 bilhões em portos. O cálculo não inclui as necessidades de infraestrutura urbana e mobilidade nas cidades.