São Leopoldo deu o primeiro passo para permitir a expansão do Tecnosinos para uma área de 55 hectares do horto florestal localizado no município nesta quinta-feira, 17.

 
O prefeito Ary Vanazzi (PT-RS) assinou na data os decretos de utilidade pública de compensação ambiental das novas áreas para a Fundação Zoobotânica.
 
Na prática, o termo cumprido significa que a cidade designou uma área hoje sob sua administração para ser entregue à Fundação Zoobotânica, ente do governo estadual responsável pela área do horto florestal, em troca de parte do espaço.
 
A prefeitura oferece uma área de 5,5 hectares na avenida Leopoldina, de frente a um parque ecológico inaugurado em 2006 e outros 48 hectares na área conhecida como Rincão dos Vianas, espaço onde ficava uma antiga olaria situada entre o Parque do Trabalhador e o Zoológico de Sapucaia do Sul - ambos espaços sob responsabilidade do governo estadual.
 
“Não podemos perder a possibilidade de construir uma cidade voltada para a tecnologia, porém precisamos cuidar e preservar o ambiente. Por isso estamos enviando esta proposta ao estado”, afirma Vanazzi.
 
A continuidade do projeto depende agora da Fundação Zoobotânica aceitar as áreas oferecidas, momento a partir do qual a prefeitura de São Leopoldo transferiria a administração da área para a Unisinos promover a expansão do Tecnosinos em 20 hectares e recuperar a mata presente em outros 35.
 
Uma antiga plantação de eucaliptos destinados a serem usados como dormentes nas linhas de trem da Viação Férrea do Rio Grande do Sul, o horto florestal tem 250 hectares de área total e hoje sofre com invasões e deterioração da mata.
 
O clima é de otimismo na Unisinos, onde a expectativa é que a expansão possa começar ainda no primeiro semestre de 2012. 
 
“O governador Tarso Genro colocou entre suas prioridades o desenvolvimento dos parques tecnológicos no estado. Hoje, o grande desafio para o futuro do Tecnosinos é a área”, comenta Susana Kakuta, gestora executiva do Tecnosinos, destacando que o parque deve receber novos investimentos na área de eletroeletrônica na esteira da vinda da HT Mícron.
 
Suzana faz questão de frisar que a transferência da área para o Tecnosinos não significa uma perda de espaço público em prol da universidade, mas o justamente o contrário.
 
“Hoje, a área é insegura, nenhum morador circula ali”, aponta a gestora executiva do Tecnosinos, destacando que o projeto para a área é de um espaço aberto, com ciclovias, um museu dedicado ao tema de tecnologia, restaurantes, um hotel, uma escola técnica e outras facilidades. “Vamos devolver a área para a cidade”, conclui Suzana.
 
O otimismo de Suzana tem fundamentos econômicos e políticos.
 
O Tecnosinos despontou nos últimos anos, quando atraiu investimentos de grandes companhias como SAP, HCL e Stefanini, que se somaram a potências locais como SKA, Meta e CWI.
 
No começo do mês, foi dada a largada das obras da HT Micron, uma fabrica de chips de US$ 200 milhões que nas palavras de Tarso Genro representaram uma “nova era industrial no Rio Grande do Sul”.
 
Com 73 empresas instaladas, o parque emprega atualmente 3,5 mil funcionários. O faturamento total em 2010 chegou a  R$ 1,3 bilhão.
 
Politicamente, o prefeito de São Leopoldo é um nome em alta dentro do PT gaúcho. Vanazzi foi o  primeiro petista a ser eleito no Vale do Sinos em 2004, se reelegendo em 2008 com 77% dos votos, em meio a uma onda de vitórias do partido na região, incluindo Novo Hamburgo, Sapiranga e Dois Irmãos.
 
A influência de Vanazzi pode ser sentida no fato do governador Tarso ter ido ao Tecnosinos como um dos seus primeiros compromissos públicos, antes mesmo de assumir o cargo em novembro de 2010.

Abaixo, confira um mapa com as demarcações das áreas envolvidas no projeto.